Portugal sem crimes com castração nos últimos 20 anos

Em Portugal não se registou qualquer caso de homicídio associado a castração nos últimos 20 anos, revelou hoje (11) à Lusa o presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML).

Duarte Nuno Vieira lembra que os crimes que envolvem castração são “habitualmente caracterizados por uma componente de particular violência”, tal como os crimes que envolvem mutilação da vítima.

“Habitualmente a castração não é por si só a causa da morte. Nestas situações, a morte é produzida por outras lesões traumáticas, nomeadamente lesões por armas bancas, de fogo ou asfixia”, refere o responsável.

Segundo relatos da imprensa norte-americana, terá sido este o caso do homicídio do colunista social Carlos Castro, cuja autópsia apontou para morte por asfixia e lesões causadas por impacto violento.

Ouvido pela Lusa, o psiquiatra Afonso Albuquerque disse que, do que tem sido relatado, o caso apresenta-se como “um crime passional, ou seja, feito num momento de paixão”.

“Essa paixão pode não ser necessariamente positiva. Pode ter consequências destrutivas e incluir a raiva, o ciúme, a agressividade, enfim, toda uma série de complementos negativos e destrutivos”, afirmou o antigo diretor do Serviço de Psicoterapia Comportamental do Hospital Júlio de Matos.

Para Afonso Albuquerque, a castração tem, neste tipo de crimes, “um significado simbólico”: “Possivelmente, existe aqui um casal que se junta por razões que transcendem as usuais e, por existir uma diferença social tão grande, é natural que o mais velho pudesse, em troca da sua proteção (no sentido de abrir caminho de uma carreira) ter tornado o mais jovem dependente”.

Em relação ao crime, o psiquiatra não afasta a hipótese de o seu autor ter sofrido um “surto psicótico”, uma suspeita que “tem de ser averiguada” e que, segundo o especialista, deverá ter sido levada em conta pelas autoridades norte-americanas que começaram por assistir psiquiatricamente o jovem num hospital.

“Há situações em que os crimes são praticados em surto psicótico e, por isso mesmo, têm um grau de imputabilidade diferente do que quando são feitos em plena consciência”, disse.

Nesses casos, prosseguiu, “o surto psicótico vai ter de ser tratado. Até lá, a pessoa continuará a ter ideias erradas sobre o que se passou”.

One Comment

  1. eu dava lhe a ideias erradas. eu gostava fazer a justiça a esse monstro

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