Nemátodo divide produtores e Governo

A Associação de Produtores Florestais de Ansião (APFA) será das poucas associações do país a recusar assinar um protocolo de colaboração com o Governo, com vista à erradicação do nemátodo nas florestas portuguesas. “Não é desta forma, apenas eliminando as árvores, que se combate a doença”, justifica o presidente, Carlos Miguel Bernardino.

O Estado vai investir 6,8 milhões de euros (comparticipados em quatro milhões pelo Fundo de Solidariedade da União Europeia) no combate ao nemátodo da madeira do pinheiro, através da colaboração com 66 organizações de produtores florestais. Mas os empresários de Ansião defendem que as medidas propostas pelo Governo em nada vão contribuir para a erradicação da doença. E já deliberaram, em Assembleia Geral, não assinar o protocolo de colaboração.

São várias as razões invocadas pelo presidente da APFA para justificar a ineficácia do projeto do Governo. A começar pelo facto de o Estado prever a destruição de todas as árvores “doentes”, mas não incluir no programa medidas de combate ao inseto que transmite o nemátodo de planta em planta. “Era mais importante matar o inseto do que a árvore”, avalia.

Por outro lado, Carlos Bernardino não compreende os critérios de avaliação do Governo na identificação das zonas florestais afetadas pela doença. Em Ansião, garante, o nemátodo está presente em todos as freguesias (com mais expressão em Ansião e Santiago da Guarda), mas o projeto do Governo só prevê intervenção na freguesia de Alvorge. “Dificilmente conseguiríamos justificar aos associados porque é que um terreno faz parte do plano e os outros não”, contesta.

Publicado por em 08-01-2011, 07:42 Arquivado em Geral, Leiria. Pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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