Jaime Ramos chama “irresponsável” ao secretário de Estado

O porta-voz do movimento cívico de Miranda do Corvo e Lousã, Jaime Ramos, apelidou o secretário de Estado dos Transportes de “irresponsável” na gestão do projeto do Metro Mondego.

O governante Carlos Correia da Fonseca admitiu à Lusa que o Governo “não tem hipóteses, neste momento”, de investir os 455 milhões de euros previstos para o Metro do Mondego, mas que irá garantir um bom “sistema de mobilidade” na zona.

O secretário de Estado, que se reunirá hoje com o governador civil de Coimbra e os presidentes das câmaras de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, destacou a necessidade de encontrar uma forma de assegurar a mobilidade das populações – através do Metro, o que implicará um “grande tempo de construção”, ou de outro processo mais rápido que esses municípios escolham.

“É uma declaração pública de um irresponsável que assume agora a sua irresponsabilidade. Então a mesma pessoa, no mesmo Governo, não podia ter lançado a obra em janeiro de 2010”, afirmou Jaime Ramos, porta-voz do movimento cívico de Miranda do Corvo e Lousã, confrontado com estas declarações.

“Não há recursos neste momento para conseguir assegurar, com o ritmo que estava previsto, um investimento da ordem dos 455 milhões de euros, não temos hipóteses neste momento de o fazer”, afirmou o governante.

Sublinhando que as dificuldades financeiras requerem seleção de investimentos, Correia da Fonseca explicou que o projeto do Metro do Mondego serve as populações e é sustentável do ponto de vista ambiental, mas vai traduzir-se num défice de exploração anual de largos milhões de euros, difícil de comportar na atual conjuntura.

Por isso, a obra não pode ser definida como prioritária, mas será possível “dilatar no tempo” a sua concretização, caso as populações queiram prosseguir com o projeto.

Segundo dados do ministério, o projeto que tem sido apresentado (um metropolitano ligeiro de superfície na linha ferroviária da Lousã e em Coimbra) teria anualmente proveitos de 7,9 milhões e custos de 12,1 milhões de euros, a que se somariam quatro milhões anuais para amortização de material circulante e 20 a 30 milhões anuais de serviço da dívida.

Jaime Ramos, antigo governador civil de Coimbra, lembrou que foi “este Governo que lançou a obra assente em estudos que encomendou e pagou no início do ano passado”.

“Destruíram o ramal da Lousã para construir o Metro. Não podem agora vir dizer que não têm dinheiro ou que a obra não se justifica”, sublinhou o porta-voz do movimento cívico de Miranda do Corvo e Lousã.

“Pode dizer que tem dificuldades financeiras e precisa de mais tempo para a concluir, mas não dizer que a obra que lançou e o projeto que aprovou não é exequível”, frisou.

Os utentes do Ramal da Lousã vão deslocar-se no sábado à residência oficial do primeiro-ministro para oferecer a José Sócrates fragmentos das obras de requalificação da linha ferroviária, em protesto pela suspensão das empreitadas.

3 Comments

  1. Só faltava mais esta. Afinal vivemos em que país ?
    Como é possivel ? Aqueles senhores desdizem a velha lógica, dizendo a "coisa" e o seu contrário…
    Aqui, na Beira litoral nas faldas da Serra chamamos a isto outra coisa, Sr Secretário, Sr. Primeiro Ministro,brincar, brincar… Não passarão…

  2. Com governantes assim estamos todos f… Este país terá um futuro sombrio enquanto este tipo de gente estiver a governar.

  3. A CP… por ordem dos governantes??? nos últimos anos com o objetivo cego de reduzir custos??? opta pelo mais básico …fechando não dá lucro!!! mas também não dá prejuízo… chegámos assistir á modernização das PNs da Linha da Figueira da Foz via Pampilhosa e de um dia para o outro encerrou-se a linha. A politica desta gente… é criar altos custos a curto prazo, sabendo que os lucros no curto prazo não serão atingidos. Tendo assim argumentos… para o encerramento do serviço.
    Não se passará aqui o mesmo?

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