“Governo tem obrigação de concluir o investimento”, diz Fátima Ramos

A presidente da Câmara de Miranda do Corvo (PSD) disse hoje que o Governo tem “obrigação” de repor no ramal da Lousã um sistema de transporte em funcionamento sobre carris, depois de ter destruído a linha que existia.

Fátima Ramos declarou à agência Lusa que “se o Governo avançou com as obras de destruição de uma linha que funcionava e transportava milhares de pessoas, gastando dinheiro dos contribuintes, tem obrigação de concluir o investimento”.

A autarca social-democrata reagia às afirmações do secretário de Estado dos Transportes, que admitiu hoje que o Governo “não tem hipóteses, neste momento”, de investir os 455 milhões de euros previstos para o Metro do Mondego, mas irá garantir um bom “sistema de mobilidade” na zona.

Carlos Correia da Fonseca, que se reunirá hoje com o governador civil de Coimbra e os presidentes das câmaras de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, destacou a necessidade de encontrar uma forma de assegurar a mobilidade das populações – através do metro, o que implicará um “grande tempo de construção”, ou de outro processo mais rápido que esses municípios escolham.

Segundo dados do ministério, o projeto que tem sido apresentado (um metropolitano ligeiro de superfície na linha ferroviária da Lousã e em Coimbra) teria anualmente proveitos de 7,9 milhões e custos de 12,1 milhões de euros, a que se somariam quatro milhões anuais para amortização de material circulante e 20 a 30 milhões anuais de serviço da dívida.

Para a presidente da autarquia de Miranda do Corvo, “o número de habitantes dos concelhos abrangidos é, atualmente, sensivelmente o mesmo de há um ano, quando as obras foram consignadas pelo mesmo secretário de Estado que, já num cenário de crise, mandou arrancar a linha existente”.

“Hoje as pessoas vivem pior do que há um ano e, por isso, a necessidade de utilizar transportes públicos é ainda maior”, referiu Fátima Ramos, considerando que “a haver uma evolução é na procura”.

A autarca considera que Carlos Correia da Fonseca “tinha obrigação de saber na altura, antes de ordenar o arranque dos carris, qual era o número de potenciais clientes para utilizar o sistema de metro”, reservando mais comentários para o final da reunião de hoje com o ministro das Obras Públicas.

O presidente da Câmara da Lousã, Fernando Carvalho (PS), anunciou também declarações para o final da tarde.

Os utentes do Ramal da Lousã vão deslocar-se sábado à residência oficial do primeiro-ministro para oferecer a José Sócrates fragmentos das obras de requalificação da linha ferroviária, em protesto pela suspensão das empreitadas.

One Comment

  1. Esses €27M que o metro vai custar todos os anos sempre se souberam. Aliás, foi nessa convicção que o Ministério mandou arrancar as obras. E veja-se aqui o carácter desta gente: sabem que vão gastar €27M por ano e decidem avançar na mesma. Depois, quando percebem que não têm dinheiro, fazem uma reunião com as câmaras para lhes pôr nas costas a responsabilidade. O Governo tem a obrigação de acabar com as obras e suportar, pelo menos, a dívida do material circulante e das obras (os tais €24M).

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