A Revista do Bem

Luiz Leitão é agora um desconhecido, mas no início do século XX assinou muitos artigos apelando aos bons comportamentos de todos, parte deles publicados na Revista do Bem. Para o fazer biografou pessoas de bem, muitos deles homens de ciência, da política e de muitas outras actividades, onde se distinguiram pelo bem praticado.

Em Coimbra calhou falar do “sr. Pompeu Faria de Castro, ilustrado professor primário de S. João do Campo, Coimbra, (que) há-de com certeza desculpar-me, escrevia, “pedindo-lhe desculpa por publicar que “fundou na sua escola uma pequena sociedade protectora dos animais e plantas”. Vivíamos então um momento feliz de afirmação de valores de humanidade em relação aos animais e plantas. E também de uma nova ética que, infelizmente, não vingou.

Introdutor da Festa da Árvore, Luiz Leitão está ligado a esta prática republicana. Por outro lado, a queda da monarquia vinha permitir uma nova forma de olhar a educação, introduzindo novas práticas pedagógicas, entre elas a protecção da natureza. Agora, vivemos tempos em que pagamos caro as agressões à natureza, que se vinga com “desastres naturais” pois as leis da natureza foram agredidas de forma leviana.

Por outro lado, os governos de forma apressada vão aplicando medidas de contenção das despesas das escolas e de protecção das crianças, particularmente nos apoios sociais como os abonos de família, obrigando a novas e insensatas medidas do governo que agravam a vida de quase todos. Assim as páginas do Diário da República receberam a 27 de Dezembro de 2010 a Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2010. Entretanto, soube por email que “no dia 28 de Dezembro de 2010, a distribuição de dividendos antecipada da PT concretizará um roubo aos desempregados, trabalhadores e trabalhadores precários, incluindo os da própria PT. Os responsáveis da empresa vão fintar a lei e distribuir mais de 900 milhões de euros em dividendos extraordinários aos seus accionistas, e com isto, saquear mais de 260 milhões que deviam ir direitinhos para os cofres do Estado.”

E o Governo de Sócrates a vê-los passar, numa estranha abulia como se a coragem lhe faltasse para dar ordem a este capitalismo sem moral e nem respeito pela lei, onde falha aos seus gestores qualquer noção do inaceitável na gestão empresarial.

Para aproveitar a miséria assim criada, algumas lojas aproveitaram a crise moral para atrair clientes seminus, num espectáculo mediático que as televisões mostram em horário nobre, ou seja para toda a gente ver, dando-lhe no fim duas peças de roupa. Outros aproveitam-se da pobreza e há ainda os que ganham dinheiro com os excessos dos “ricos” dizem que há divertimentos para todas as bolsas.

E assim vai o mundo, mostrando numa mediática “ilusão” em que “ninguém” sabe o que é o Bem e o Mal, fazendo desejar o regresso de uma Moral que humanize as relações entre os Homens de Boa Vontade.

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