Vilar considera carta anónima “um escarro”

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O antigo vereador socialista, Luís Vilar, anunciou ontem que vai “acionar juridicamente” o inspetor da Polícia Judiciária que fez as escutas, o diretor da Polícia Judiciária “à época” – João Ataíde –, o procurador do Ministério Público e o juiz que “transcreveram para o processo escutas da minha vida particular que nada têm a ver com os crimes de que estou acusado” e que foram validadas.

Depois de ter sido condenado na passada semana a uma pena de três anos e meio de prisão, suspensa por igual período, o ex-dirigente revelou que irá apresentar recurso da decisão. Um processo que teve início com uma carta anónima – distribuída pelo acusado aos jornalistas – e que foi “internamente elaborada e por alguém próximo de mim”. “Mais, coincide com a desavença sobre as candidaturas à Federação em que Fausto Correia entendeu não avançar e, ao contrário das expetativas, apoiei o camarada Victor Baptista contra a camarada Teresa Alegre Portugal”, disse. Vilar referiu ainda que, após leitura atenta da carta anónima, esta “era contra mim, contra o Fausto e de relance contra o Victor Baptista”.

Ainda sobre a missiva, o acusado concluiu que, após a sua leitura, “se tratou de um processo político-partidário que a Polícia Judiciária aceitou de bom grado, geriu-o com precisão, tanto mais que teve três anos na sua posse com todas as investigações a decorrer, sem que o Ministério Público deduzisse qualquer acusação. Um fatinho à medida”.

E deixou uma curiosidade: “carta foi escrita em março de 2003, altura em que pela primeira vez na história pós-25 de abril de 1974 se apresentaram quatro candidaturas à concelhia PS, sendo uma delas da já famosa secção de Botão, a qual integrava o inspetor da Polícia Judiciária, Santos Pereira”. Um ato eleitoral que venceu com maioria absoluta e em que confessou que errou, já que “quem se dá ao trabalho de apresentar candidaturas só para retirar maioria absoluta, se for gente mal formada, não ficaria quieta”.

Sobre as questões de Direito e das leis, relativas ao teor da sentença, apontou algumas incongruências, referindo no final que “cada vez compreendo melhor os que preferem a lógica, o senso comum e a experiência de tribunais com jurados”. “A investigação, o Ministério Público e o Tribunal, a partir de uma carta anónima, deram abrigo à mediocridade e a questões de politiquice partidária, imiscuindo-se na vida política”, afirmou. A mesma vida partidária em que assume ter um compromisso com os militantes do PS, já que apresentou recentemente a demissão da Comissão Nacional do PS. “Estou disponível para dizer o que penso, que causas defendo e até contar histórias verdadeiras que conheço”, afirmou.

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