Quanto pode valer o Centro

1. É a partir do facto de Portugal ter, em Coimbra, no Instituto Pedro Nunes, a melhor incubadora de base tecnológica do Mundo, que devemos pensar e agir. Os números são importantes: Desde 1996 o I.P.N. criou mais de cem novas empresas inovadoras, a maioria de base tecnológica, com mais de 80% de sobrevivência, com negócio anual de mais de 70 milhões de euros. Ser a melhor, num concurso de empresas deste tipo, entre mais de 50 incubadoras de 26 países diferentes, é espantoso e importa entender a importância disto. Em primeiro lugar, muitas das incubadoras estrangeiras concorrentes estão em países centrais e não periféricos, têm apoios financeiros, particulares e estaduais, muito superiores aos do I.P.N., trabalham com meios financeiros e humanos muito maiores e há mais tempo. Mas, mais importante, o reflexo na investigação, na indústria e na economia é (pode ser) de um valor incalculável. São empresas novas a nascerem de domínios de investigação científica, feita na Universidade de Coimbra, com os seus projectos e investigadores, e que assim criam produtos e serviços que lançam no mercado, melhorando as condições de vida e produzindo riqueza. Significa ainda que as empresas assim criadas, em rede e com interação de pessoas, ideias, projectos e conhecimentos, com apoios administrativos e jurídicos, têm muito mais condições de sobrevivência e de crescimento que as outras, e, sobretudo, que vão à frente. Os efeitos continuados e multiplicados de uma filosofia científica e empresarial desta natureza são de altíssima importância. Todos os apoios do poder político e económico a realidades como o Instituto Pedro Nunes são poucos, porque já mostrou ser capaz de os multiplicar por mil.

Todos agora esperamos que o Acelerador de Empresas, outra ideia brilhante da Doutora Teresa Mendes, a quem se devem, em grande medida, estes sucessivos milagres do I.P.N., não vá por água abaixo, ou não fique a apodrecer nas gavetas do Poder, enquanto vão morrendo muitas empresas que poderiam ser salvas. Que o Acelerador de Empresas não pare à conta da crise financeira, que vai por certo matar muito boas ideias, enquanto engorda malfeitores, para quem o Poder costuma ser bando e lento.

2. Dados do Instituto Nacional de Estatística vieram revelar-nos factos surpreendentes. O desemprego, na Região Centro, é de 7,4%, enquanto que na Região Norte é de 13,2, no Algarve é de 12,8%, no Alentejo, 11,6%, na região de Lisboa, 11,3%, na Madeira, 7,8% e nos Açores, 6,6%. Na Região Centro o desemprego está, pois, muito abaixo da média nacional. Sendo uma região com perto de 2.400.000 habitantes, cerca de 25% da população portuguesa e uma área correspondente a 30% do território, estes dados são muito significativos no conjunto nacional. Têm (ou deviam ter) peso político, já que o têm económico e social. Estamos habituados a que o Centro seja desvalorizado e entalado entre o Norte e o Sul; há quem diga que não sabe o que é o Centro, como já li. Pois bem, os dados são exemplares e metem-se pelos olhos. E são um valor a desenvolver e a explorar, porque têm peso, e devem portanto obrigar o poder político a apoiar as possibilidades que aqui tem. Há aqui muita gente que sabe fazer as coisas e anda à frente. Compete à política apoiar e potenciar e não estorvar, ou desbaratar, como se fez com o turismo e se tem feito nos transportes e nas estradas. Parece até que há pessoas interessadas em que o Centro de Portugal apareça como realidade menor. Mas não é para aí que os dados e as possibilidades apontam.

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