Presépio tradicional na vila do Espinhal

A tradição presepial na Vila do Espinhal remonta a um passado longínquo, atendendo aos testemunhos das pessoas mais idosas da terra e aos valores materiais que sustentam aquelas afirmações. Quer a Igreja Paroquial, quer as habitações particulares, incluindo as casas senhoriais, acarinharam, desde sempre, o presépio tradicional, fazendo daquele símbolo do nascimento de Cristo e monumento de culto espiritual e raiz material, um espaço privilegiado para adorar o Menino/Deus, reunir a família e entoar as loas ao Altissimo.

O presépio, que integra uma das mais entusiásticas e apaixonantes criações dos homens, com especial carinho das crianças, molda na grandeza do seu esplendor e espiritualidade, o bairrismo dos espinhalenses, demonstrando, também, o sentimento religioso que abraça a Vila e a Freguesia.

A tradição da sua construção transmitiu-se de geração em geração e, actualmente, é um efectivo sinal de respeito pela memória colectiva e um emblema cristão da comunidade. Por esta razão, usufrui de um carisma de identidade local, graças ao empenho de algumas pessoas, onde sublinhamos os falecidos Ramiro Simões e José Lourenço, agora continuados pelo técnico de arte sacra, José Antero, e pelo artista plástico, Rosando. Estes, imbuídos de fértil criatividade e de profundo conhecimento popular, constroem, anualmente, um monumento de invulgar beleza e fervor espiritual, bem documentado no ruralismo franciscano, com complemento moderno, e estruturado na simbiose entre o artístico e o artesanal.

O presépio da Vila do Espinhal, queremos sublinhar, não é um presépio mecânico. É a recriação autêntica do presépio de São Francisco de Assis. Um símbolo religioso, histórico, cultural, etnográfico, iconográfico e de comunhão entre o eterno e o humano. Nele, se corporiza a festa da humanidade e nele se projecta a divindade de Jesus Cristo na glorificação do Redentor, tal como nasceu em Belém, simbolizado no Menino que é adorado pelos sábios do mundo, pelos pastores humildes da serra e por todos os homens de boa vontade.

Neste entendimento, o presépio tradicional da Vila do Espinhal, integrado no Penela/Presépio 2010, aufere de prestígio secular, que fomenta a visita, cada ano, de milhares de pessoas de todo o país.

O presépio deste ano divide-se em três partes, que se interligam, preenchendo três espaços do Palácio da Quinta do Castelo: a central, que mostra a montanha verde em fundo, magnífica, reproduzindo o património natural que abunda na Vila e na Freguesia, tendo em plano de evidência uma grande e articulada pista de comboios, que deslizam, suavemente e constituem uma atracção irresistível para os visitantes; a lateral esquerda, que oferece um ambiente fascinante pela diversidade patrimonial que se semeia pelo espaço, deslumbrando pelo património cultural e popular, construído, monumental e natural existente na Vila e Freguesia – casas, igreja e capelas, ruas, praças, Cascata da Pedra da Ferida, praia fluvial da Louçainha, S. João do Deserto, Lapa, fontes, moinhos de água e de vento, ribeiras, filarmónica, procissão, nora e poço, figuras carismáticas da terra, aldeias e lugares espalhados pelo território, eólicas, levadas de água, rebanhos e um conjunto de pormenores materiais e humanos que deslumbram. Alguns motivos estão em pleno movimento. Acresce, neste lugar paradisíaco, o surgimento temporário da noite e do dia, tornando o cenário mais espectacular; a terceira parte, mais espiritual, simboliza a gruta, o estábulo, as figuras do presépio e os animais, a par dos utensílios agrícolas e domésticos, numa demonstração da vivência campestre. Até 2 de Janeiro.

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