O Direito à indignação

É bem verdade que cada um sente à sua maneira e exprime-se, livremente. Contudo, não nos devemos esquecer dos nossos valores e dos nossos ideais.

Apesar de ser militante do PS, não posso deixar de manifestar a minha indignação, e o meu inconformismo, para duas questões que se passam em Coimbra. Lamento, mesmo, que os órgãos próprios não tomem uma posição pública, porque de questões fundamentais se tratam, para a nossa cidade.

O calculismo político, o politicamente correcto, não podem sobrepor-se ao que cada um de nós sente e até estou convicto que, o respeito que por nós tem, não advém do silêncio cúmplice em determinadas situações.

Os deputados de todos os partidos, pelo círculo de Coimbra, os vereadores da Câmara de Coimbra, os deputados municipais, os próprios partidos políticos, já deveriam ter tomado uma posição, tendo em vista a afirmação de Coimbra e sua região.

Por isso mesmo, quero começar por apresentar a minha total solidariedade à Câmara da Lousã e ao seu Presidente, Dr. Fernando Carvalho, que tomaram posição, quer no órgão próprio, quer ao nível individual.

Refiro-me, naturalmente, à suspensão dos concursos de aquisição dos carris e parte eléctrica do Metro Ligeiro de Superfície que deveriam ocorrer em Abril próximo.

O Ministério das Obras Públicas trata mal os Autarcas, democraticamente eleitos, e ao mesmo tempo trata mal os cidadãos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã. O Sr. Ministro e a sua equipa, onde constam elementos da Federação de Coimbra do PS, prestam-se ao papel de vir inaugurar 3/4 quilómetros a sul da cidade, como se estivessem em campanha eleitoral e, na questão do Metro, nem uma justificação a Coimbra e suas gentes.

A minha indignação ainda é maior, porque é o mesmo Governo que inicia as obras, manda retirar os carris e, agora, não os quer colocar! Então, não andaram a reunir com os Autarcas? Esqueceram-se de lhes dizer que não ia haver Metro?

Será que alguns estarão à espera que não nos lembremos das suas (não) atitudes no momento próprio, face às ambições que têm e que são sobejamente conhecidas?

Na política, como na vida, quem mente, quem insinua, quem maltrata, não pode ser compensado e muito menos devemos deixar que tal aconteça.

A minha revolta aumenta, quando sei, mesmo com uma nova programação do investimento face à crise que se atravessa, que para o Metro avançar, bastava que, nos próximos 3 anos, estivesse inscrita em Orçamento de Estado uma verba de 25 milhões de euros por ano, o que de todo, em todo, é mais do que possível.

Se tal não fosse possível, seria a bancarrota já instalada.

Como quererá este Ministério que se explique às populações que, nem Comboio, nem Metro? Agora que andem de autocarro, se quiserem!

Será que fizeram contas?

Quanto custarão as indemnizações a pagar?

E os que já foram expropriados, em nome do interesse público, ficarão calados?

E os custos com os autocarros que, diariamente, fazem o percurso do antigo comboio?

Será que em Democracia, este Ministério das Obras Públicas e seus responsáveis, não têm de prestar contas de nada?

Esta atitude só tem uma qualificação: é um equívoco, como também o são os responsáveis.

Para termos voz em Lisboa, não podemos continuar a aceitar tudo quanto nos querem impor, sem nos darem qualquer justificação.

É tempo de dizer, basta!

No próximo artigo quero ver se não serei obrigado a falar do Hospital Pediátrico, tanto mais que a Sra. Ministra da Saúde foi cabeça de lista em Coimbra.

One Comment

  1. Antonio Sousa says:

    Em relação ao assunto (suspenção das obras do metro ligeiro ramal da Lousã vou ser um pouco critico, acho que a marcha lenta na a1, e uma boa maneira de mostar o nosso descontentamento e a nossa revolta perante esta lamentavel situação que os politicos de Lisboa nos cvriaram.
    Tenho uma sugestão para alem desta marcha porque nao, agora que se avisinham ai eleições para a Presidencia da Republica, ai sim as populações de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã unirem-se e nao irem as urnas nesse dia?

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