Natividade

Naquele tempo, andavam os tempos difíceis num canto do Império Romano, onde um sátrapa com ar muito corajoso, obedecendo aos banqueiros, que se tinham previamente apoderado do dinheiro dos depositantes para fazerem os seus negócios, acedeu a cobrir os prejuízos dos negócios da finança sem perguntar porquê. Sabia bem que não devia perguntar demais pois podiam dizer-lhe aquilo que não queria ouvir.

Tinham os banqueiros antes obtido muitas benesses do Banco Central da Lusitânia e, no atrasado ano de 88 A.C., tinham até participado na pilhagem do Banco Central da Confederação de Atenas, localizado no Templo de Apolo, na ilha de Delos, acompanhando Mitridates. Podemos agora aprender na Internet. Da Grécia, os lusitanos quase só sabiam agora o nome de alguns filósofos, em particular só o de um que tinha sido condenado à morte por corromper a juventude. Agora já não se importavam com isso. Tinham aprendido muito com a história agora já esquecida dos novos senhores da finança, que nunca se tinham esquecido de pilhar em nome do bem comum tudo o que os pobres tinham deixado nos templos. Agora tentavam convencer os Estados de todo o mundo a vender dívida soberana para que eles o aprisionassem ainda mais. Ficaria a situação encalacrada para muitas gerações, mas isso não lhes importava.

Não contentes com isso, convenceram este governante obediente a reduzir os pequenos óbolos, os que antes um rei misericordioso tinha atribuído às famílias numerosas e até a todas as crianças.

Soube disto um bondoso e compassivo Rei Mago, que foi ao seu velho cofre buscar quantos sestércios lá tinha guardado para auxiliar o seu pobre povo e, esquecido deste, mandou aparelhar o seu veleiro para, atravessando o mar, seguindo uma Estrela, vir ajudar um povo empobrecido e ainda mais um menino que ia nascer.

Encontrou ao chegar um mar revolto e quando chegou, pior ainda, um povo angustiado no caminho que percorreu fiado num mapa antigo, que lhe dizia estar a capital da Lusitânia entre Aeminium e Conímbriga, mas quis o destino que encontrasse “uma mulherzinha de Cegonheira, concelho de Coimbra, que deu à luz 3 crianças, sendo duas do sexo feminino”. Estava perdido como logo viu. Mas via também como os muitos sestércios que trazia nada eram perante a imensa pobreza, a que os campos abandonados por incúria e por um mal pensar dos homens denunciavam. Também as fábricas estavam em ruína, mostrando bem há quantos anos já nada produziam. Tudo o angustiava e, pior ainda, mostrava como os seus sestércios nada resolviam neste oceano de incongruências políticas, que geravam tanta miséria. Via contudo uma estranha loucura que invadia Shoppings em nome do Pai Natal, um estranho deus.

E, vendo de novo a Estrela, foi-se embora procurando os outros Reis Magos, pensando que talvez eles tivessem encontrado um Menino que viesse salvar este povo.

Mas, o Rei Mago partiu desanimado e sem esperança.

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