Natal vivido em esperança

Todos os anos se fala da necessidade de dar um sentido diferente ao Natal que na literatura, na arte e nas tradições populares, com o presépio a servir de motivo de contemplação espiritual, a “Nativitas Domini” inspirou ao longo do tempo muitos autores e os povos cristãos em geral. Não faltam nesta época os sinais de presença verdadeira, de amor, amizade e fidelidade, sinais que expressam a alegria da solidariedade com a certeza de que só a Luz de Deus consegue iluminar a escuridão que cobre a mente dos homens de tantas e variadas formas. Fortalecer a esperança, meditar na Palavra da Boa Nova, promover o encontro, buscar a Paz que vem de Deus, plantar sementes de reconciliação e de harmonia. Da Alegria do nascimento de Jesus aprende-se a reconhecer o rosto do Menino em cada olhar, em cada sorriso, em cada lágrima, enfim em cada ser humano. Natal é tempo novo, é tempo de superação! Luz, Vida e Esperança para recomeçar a caminhada.

Na última semana que antecede o dia de Natal a liturgia canta sete antífonas do Magnificat que são um verdadeiro tesouro espiritual e literário do período do Advento. Porque começam todas com o vocativo Ó passaram a designar-se como antífonas do Ó.

Pela sua leitura penetramos no mistério natalício. Estes maravilhosos textos datam pelo menos do séc. VII. Neles se louva o Messias e se pede pela sua vinda em socorro do “homo viator”. Um epíteto frequente na Bíblia para designar o próprio Deus inicia cada uma delas: Ó Sapientia, Ó Adonai, Ó Radix Iesse, Ó Clavis David, Ó Oriens, Ó Rex gentium e Ó Emmanuel.

A Sabedoria que saiu da boca do Altíssimo e chega a toda a terra virá para ensinar o caminho da prudência. Adonai, que apareceu a Moisés na sarça ardente e lhe entregou a Lei no Sinai, operará a redenção com o seu braço forte. A raiz de Jessé é uma alusão à árvore de Jessé (este era o pai de David) da qual provém o Redentor. O nome vem citado em Isaías 11, 1-3: «Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes frutificará um rebento».

Tornou-se um motivo frequente na arte cristã entre os séculos XII e XV, em manuscritos, pinturas, vitrais, talha decorada e esculturas em madeira e em pedra. Jessé surge, geralmente, reclinado ou adormecido, com uma árvore a crescer do seu corpo, onde os antepassados de Jesus, de acordo com a Bíblia, são desenhados nos ramos da árvore, juntamente com os profetas e o próprio Jesus no topo. A chave de David e ceptro da casa de Israel, que abre e ninguém fecha, fecha e ninguém abre, libertará os prisioneiros dos cárceres e das trevas e sombras da morte. É também Oriente, esplendor da luz eterna e sol da justiça, e Rei dos povos e desejado das nações, a pedra angular da humanidade.

O Emmanuel, rei, legislador e esperança dos povos e seu salvador, chegará para estar connosco. Segundo o Evangelho de Mateus, Emmanuel é Jesus (em hebr., “Deus connosco”). É um nome teofórico que se encontra em Isaías 7, 14 e 8, 8 e numa citação de Mateus. Em português temos Manuel ou Emanuel que dá também o nome a muitas sinagogas. Das antífonas colhem-se ricas lições que muito ajudam a penetrar na beleza e significado do Natal que é tempo de redobrada esperança.

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