Magusto da Velha revivido na aldeia de Vila Viçosa

A tradição natalícia do ‘Magusto da Velha‘, com 312 anos, será revivida este domingo em Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda, por iniciativa da Junta de Freguesia local.

Segundo o presidente da Junta de Aldeia Viçosa, Baltazar Lopes, trata-se de uma tradição que é “única no país” e que consta da oferta de castanhas e de vinho aos habitantes e aos visitantes da localidade situada no Vale do Mondego.

“Vão ser distribuídos 150 quilos de castanhas e 150 litros de vinho, como já é normal acontecer todos os anos”, disse o autarca.

Referiu que o ‘Magusto da Velha’ “é uma tradição secular” que a autarquia mantém “porque é única no país e no Mundo e Aldeia Viçosa gosta de manter as suas tradições”.

Baltazar Lopes disse que a iniciativa sempre foi realizada no dia 26 de dezembro, independentemente das condições climatéricas, sublinhando tratar-se de “um dia extremamente importante para a povoação”.

Assegurou que muitos naturais da terra, que passam o Natal fora, se deslocam naquele dia a Aldeia Viçosa “para participarem” no evento anual.

Segundo a tradição, pelas 14H30 de domingo, a população concentra-se no largo da Igreja, onde o madeiro ainda fumega e, do cimo da torre sineira, são lançadas castanhas que depois são assadas nas brasas que ainda restam da fogueira natalícia.

No momento em que as castanhas são atiradas para o meio da multidão, é usual os mais novos porem em prática as denominadas ‘cavaladas’, saltando para cima das costas das pessoas que se baixam para as apanhar, provocando muito riso entre os participantes e a assistência.

As ‘cavaladas’ são “um atrativo para muita gente”, assegurou o presidente da Junta de Aldeia Viçosa.

A tradição natalícia, que remonta a 1698, teve origem na herança de “24 escudos e 60 centavos” (cerca de 13 cêntimos de euro) feita por uma senhora abastada – que localmente ficou conhecida como ‘a velha’, por o seu nome não ser conhecido – cuja vontade foi que o povo, um dia no ano, pudesse comer castanhas e beber vinho, recordou Baltazar Lopes.

Em troca, a mulher apenas “exigia à Igreja que, um dia por ano, lhe rezasse um padre-nosso”, acrescentou.

Baltazar Lopes contou que a Junta de Freguesia recebe trimestralmente uma verba de 14 cêntimos, relacionada com a herança da ´velha`, que é depositada na conta bancária da autarquia pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).

A verba é “insignificante” mas a Junta de Aldeia Viçosa continua a manter a tradição e a fazer a vontade da ‘velha’, distribuindo pelo povo, uma vez no ano, castanhas e vinho.

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