Fátima Ramos quer intervenção de Cavaco em relação ao Metro

A presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, Fátima Ramos, apelou hoje ao Presidente da República para que as obras do Metro do Mondego, no ramal da Lousã, não sejam suspensas.

Numa carta enviada a Cavaco Silva, a autarca afirma “o que se está a passar com este processo revela falta de bom senso e uma completa irresponsabilidade. Senhor Presidente da República, peço-lhe que analise a situação e interceda junto do Governo para que a mesma seja corrigida”.

A Refer (Rede Ferroviária Nacional) ordenou recentemente aos empreiteiros das obras de requalificação em curso na linha, entre Serpins (Lousã) e Alto de São João (Coimbra), a supressão dos trabalhos relacionados com a plataforma da linha, assentamento de carris e construção da catenária, um investimento que rondaria os 13 milhões de euros.

Desde o início do ano que estavam em curso duas empreitadas superiores a 50 milhões de euros, entre aquelas duas localidades, no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego, que prevê a instalação de um metro ligeiro de superfície do tipo “tram-train” na Linha da Lousã e na cidade de Coimbra.

A presidente da autarquia de Miranda do Corvo não se conforma com a decisão da tutela, salientando que “os investimentos em curso não se destinam a uma nova obra nem à criação de uma qualquer nova linha mas apenas à conclusão das obras em curso e que (…) se destinam a substituir um serviço existente que foi interrompido”.

“Entre Serpins e o Parque da Cidade, em Coimbra, existia um sistema de transporte ferroviário a funcionar há mais de um século. Apesar de todos os defeitos e necessidades de modernização que apresentava, este sistema garantia o transporte da população dos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, de e para o centro de Coimbra”, sublinha a autarca.

Fátima Ramos (PSD) não aceita “que se destrua um equipamento ferroviário que valia milhões de euros, privando a população do seu serviço, se invistam milhões de euros na construção de um novo sistema e na destruição do anterior e passados poucos meses se coloque a hipótese de abandono de todo o sistema”.

A autarca responsabiliza o Executivo de José Sócrates de ter avançado com as obras em janeiro deste ano, quando o país já discutia o PEC II, “suspendendo o transporte ferroviário e destruindo a linha existente”.

“Pessoalmente, por várias vezes alertei o Governo para a necessidade de ser feita uma avaliação prévia da capacidade financeira para o investimento, bem como para a necessidade do estudar a melhor solução. Atempadamente alertei o Governo para a existência de alternativas de modernização que me pareciam muito mais económicas”, lê-se na missiva enviada a Cavaco Silva.

Segundo a autarca social-democrata, não é possível aceitar “que em período em que se impõe a contenção de custos se paguem milhões de euros de eventuais indemnizações por suspensão das obras, nem que se paguem milhões de euros pela manutenção dos transportes alternativos ou que se abandone um investimento onde já foram gastos milhões de euros”.

3 Comments

  1. alvaro cardoso says:

    Que mais acrescentar à oportunidade desta carta e a tudo que foi escrito e dito sobre este tema inclusivamente por especialistas em transportes urbanos, dentre os quais se deve destacar a opinião do Sr. Prof. Tão, douturado em Inglaterra, tantas vezes repetida e que não foi considerada. Se tivessem sido as várias administrações da Metro Mondergo a pagar as despesas já feitas e a fazer nunca se meteriam nesta aventura. Assim, fartar vilanagem.

  2. Zé Povinho Miranda says:

    A Presidente da câmara tem razão que não podemos em tempo de crise parar obras e pagar indemnizações aos empreiteiros. A dr.a Fátima só está enganada no que toca aos transportes alternativos, pois estes funcionaram até ao fim do contrato em Jan/2012. Depois não haverá mais transportes alternativos, e quem quiser ir a Coimbra terá de o fazer de carro!

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