Editorial: Médico(s) em baixa

O bastonário da Ordem dos Médicos está de saída, como se sabe. Talvez por isso, Pedro Nunes julgue poder dizer, agora de forma ainda mais impertinente, o que lhe vem à cabeça.

Ontem, o oftalmologista lisboeta resolveu passar um atestado de menoridade ao resto do país. Fê-lo a propósito da divulgação de dados oficiais, que apontam para o extraordinário número de 67 mil baixas fraudulentas, já detetadas este ano pela Segurança Social – mais 20 mil casos do que em 2009.

“A haver atestados ou baixas que não correspondam à realidade a fraude não é dos médicos, que não são polícias”, diz o médico. Ou seja, a culpa é do “sistema”, acrescenta Pedro Nunes.

É verdade que há, na complexa teia que envolve o processo das baixas médicas, demasiados “buracos” e suficientes “escapatórias” para que se possam diluir responsabilidades, à boa maneira portuguesa. Basta recordar o labiríntico percurso burocrático, nos corredores das repartições, dos guichês e dos gabinetes administrativos, que potencia a fraude, ou, no mínimo, o desleixo fiscalizador.

Não obstante, o papel do médico é absolutamente central, no processo. E os médicos, como os polícias, os jornalistas e os políticos – os doentes, em geral –, são homens. Erram, portanto. E, alguns, são consabidamente corrompíveis.

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