Discurso de Sócrates é de quem não “assume responsabilidades”

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, considerou que o discurso de sábado do líder do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, sobre a pobreza “é um bom exemplo de quem não assume as responsabilidades”.

“O discurso do primeiro-ministro de ontem [feito no Porto, na qualidade de secretário-geral do PS] é um bom exemplo de quem não assume as responsabilidades e de quem não está à altura das funções que desempenha quando pratica comportamentos como este”, sustentou o dirigente social-democrata.

Miguel Relvas falava aos jornalistas à margem da sessão de encerramento das jornadas da JSD, que decorreram durante três dias na Mealhada (Aveiro).

O secretário-geral socialista condenara sábado quem explora “de forma descarada” a questão da pobreza para retirar dividendos políticos, dizendo que os verdadeiros combatentes contra a pobreza são discretos e afastam-se do “exibicionismo”.

O discurso de José Sócrates foi feito no encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, referindo-se de forma implícita a um dos temas de polémica que tem marcado a pré-campanha das eleições presidenciais, depois de o atual Presidente da República, Cavaco Silva, ter afirmado que todos têm de sentir-se envergonhados por haver pessoas com fome em Portugal.

Na perspetiva do secretário-geral do PSD, o Governo “sempre que aparece um indicador nem que seja uma décima positiva realça, assume, põe-se em bicos de pés”.

“E a verdade é que em circunstâncias difíceis e em circunstâncias como as que vivemos hoje, de uma grave situação social, este governo evita e foge das responsabilidades”, acusou.

Para Miguel Relvas, “Portugal hoje precisa que os principais órgãos de soberania sejam capazes de gerar um clima de estratégia comum para aqueles que são os desafios” nacionais.

Segundo o dirigente social-democrata, “a verdade é esta: Portugal tem tido um Presidente da República que tem contribuído claramente para um clima de concertação estratégia entre os principais” órgãos de soberania.

“Mas o primeiro-ministro tem-nos habituado, ao longo dos últimos anos, a este tipo de comportamentos em que a responsabilidade para o governo, para o Partido Socialista e para o primeiro-ministro quando as coisas não correm bem é sempre uma responsabilidade que tem de ser assacada a outros, seja a crise externa, seja os partidos da oposição, seja agora o senhor Presidente da República”, considerou ainda.

Miguel Relvas acentuou que “é hora do Governo olhar para a realidade dos problemas, preocupar-se com a execução orçamental, não só com a do próximo ano mas também ainda com as contas deste” ano.

“Ou seja, nós temos é que exigir ao Governo e ao engenheiro Sócrates que governe”, concluiu.

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