Alunos, pais e professores protestaram contra alterações no ensino privado em Leiria

Alunos, pais e professores manifestaram-se esta tarde (14) na cidade de Leiria contra a decisão do Governo de alterar as regras dos contratos de associação com as escolas do ensino particular e cooperativo.

Organizada pelas associação de pais e direções dos colégios de Nossa Senhora de Fátima e Conciliar de Maria Imaculada, e da Escola de Formação Social, a manifestação juntou centenas de pessoas em frente aos Paços do Concelho, onde as palavras de ordem eram “respeito” e “igualdade”.

“Temos qualidade” e “Queremos existir” eram outras das frases que se liam nos cartazes e que se fizeram ouvir no decurso do protesto ruidoso, ao som de “vuvuzelas”, que terminou no centro da cidade, no Largo Paulo VI.

Aos jornalistas, o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, com 500 alunos, disse acreditar que iniciativas como esta podem fazer recuar o Governo.

“Eu acredito que sim e para isso e por isso é que estamos aqui a trabalhar e, sobretudo, a informar, porque creio que há uma falta de informação muito grande da população sobre esta questão”, declarou Carlos Magalhães de Carvalho momentos antes de entregar ao vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria um conjunto de documentos sobre o ensino particular e as consequências se o Governo mantiver a intenção de renegociar os contratos de associação.

O responsável afirmou que muitos pais não têm condições para manter os filhos nas escolas privadas se for exigido pagamento.

“Teriam de tirar de lá os filhos e abdicar de um projeto educativo fundamentado em valores”, referiu, acrescentando: “Em Leiria, eu creio que o ensino de iniciativa estatal está neste momento sobrelotado para absorver os alunos doutros colégios. Não sei como é que o Governo pensa depois resolver este problema”.

Já a diretora pedagógica do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, com 800 estudantes, explicou que o protesto visa “lutar pela liberdade de escolha de ensinar e aprender nas escolas em Portugal”.

“Somos escolas privadas que oferecemos um serviço público de educação, com qualidade, com exigência”, adiantou Paula Maria Almeida, que sublinhou: “Achamos que não somos descartáveis, que merecemos, temos dignidade e experiência suficiente para continuarmos a servir e a prestar este serviço de qualidade”.

Sheila Neto, que frequenta o 9.º ano de uma das escolas que promoveu a manifestação, admitiu que se a medida do Governo for para a frente os “pais vão ter de pagar mensalidade” e, por isso, “talvez saia do colégio”.

Palavras subscritas por António Silva, do 7.º ano, que justificou desta forma a presença no protesto: “Eu estou a tentar que o ensino privado seja gratuito como dantes era”.

O vice-presidente do município anunciou que vai ser convocado o Conselho Municipal da Educação para analisar o “impacto” da decisão governamental, que “a autarquia vê com muita preocupação”.

“Uma decisão destas tem que ser devidamente avaliada de modo a garantir aquilo que é a sustentabilidade no concelho de Leiria, não só neste ano letivo, mas no futuro”, anotou

Gonçalo Lopes.

4 Comments

  1. rui fernandes says:

    ensino privado de borla??? mas anda tudo doido? anda um gajo a descontar todos os meses, para pseudo-ricos andarem a estudar em colegios privados semi-subsidiados pelo estado!!! acho muito bem que paguem tudo por inteiro. senão vão para o publico, como eu, que não foi por estudar na publica que deixei de me licenciar em medicina! não há duvida que temos um país que anda a duas velocidades, é o faz de conta, e a crise a bombar!!!

    • Isabel Alves says:

      Essa ideia parece-me algo fundamentalista! Ora vejamos: Se estamos em crise e está demonstrado que o ensino privado fica mais barato ao Estado do que o ensino público, se calhar Portugal precisa é de mais escolas privadas!!!! Pelos vistos conseguem fazer com menos dinheiro um melhor trabalho!!!!

  2. Eu tenho uma filha no privado!Saímos mais baratos ao estado na educação dos nossos filhos e tb somos contribuintes tb temos direito a alguma ajuda deste não ??o sr.pseudo DR.não percebeu bem a questão em debate.Se agora tirar-mos os nossos filhos todos do privado quero ver onde é que o governo os vai colocar a todos.Afinal temos direito a escolas na area de residência.

  3. Luís Melo e Castro says:

    Tudo isto se trata de uma questão de defesa do direito de liberdade de escolha do local onde queremos colocar os nossos filhos a estudar. É saudável haver a possibilidade das diferentes escolas, publicas e privadas concorrerem para receber os nossos filhos. As melhores são sempre as mais desejadas, mas isto em democracia é benéfico e não compreendo porque é que os decisores políticos têm tanta dificuldade em compreender esta questão. A livre concorrência, com alguns limites reguladores, é um incentivo à melhoria do desempenho das escolas enquanto organizações, quer elas sejam particulares, quer sejam públicas, por isso devem estar em igualdade de circunstâncias. Tanto há boas escolas públicas como privadas, deste modo é legítima esta defesa da igualdade de direitos das escolas privadas face às escolas públicas.

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