Acreditar no futuro

Portugal vive actualmente um momento de redefinição, de encruzilhada com importantes desafios aos quais todos somos chamados a dar resposta.

Eduardo Lourenço diz: “… no fundo sentíamo-nos bem no nosso país lírico, de hortas e sardinha assada, com suplemento de conforto importado … ”, o que é um facto e hoje quando já nada nos resta do velho Império Colonial, e o Portugal Europeu é um imperativo incontornável, contarmos com ela solidariamente deixou de ser questionável.

O nosso esforço, as nossas energias talvez mal conduzidas, insuficientemente estimuladas, têm de ser bem dirigidas para a construção de um futuro livre e digno, fazendo dele ao mesmo tempo um acto de afirmação e uma ambição.

Perscrutando o futuro sentimos que ele cada vez nos pertence menos no contexto europeu, no entanto devemos encará-lo de uma forma positiva como algo que nos vai permitir atingir o desenvolvimento, baseado no principio fundamental de que todos os povos são iguais em dignidade humana, e não um desenvolvimento visto na óptica de uma “caridadezinha”.

Outrora a Europa era a fronteira do desespero que separava os portugueses das “terras da promissão” para onde se emigrava procurando melhores condições de vida.

Agora será a fronteira da esperança mas o “milagre” do desenvolvimento deverá ser feito com as nossas próprias mãos, com as nossas capacidades, com as nossas contradições e a vontade colectiva de um futuro melhor.

A União Europeia hoje é muito mais do que o somatório dos Países que a integram. Constitui um sistema complexo a todos os níveis, com efeitos sobre as capacidades e o desempenho dos Estados Membros, com as inerentes interdependências no domínio económico e social e com interacções entre os diferentes governos, administrações e entidades públicas e privadas.

Apesar do sistema europeu, já ter atingido um grau de complexidade notável, não é garantia que o seu estado de equilíbrio não esteja em perigo.

Por isso as estratégias políticas e económicas da União Europeia são cada vez mais cruciais para os Estados Membros nomeadamente para Portugal, que se deve esforçar para evitar a tendência para qualquer atitude de carácter periférico.

Portugal tem também de se assumir como uma “potência” Euro Atlântica afirmando-se num espaço próprio e alcançando a projecção de alguns dos seus interesses no âmbito dos países africanos e lusófonos, sendo o Brasil um caso singular em todas as parcerias.

Que estratégias para o nosso processo de desenvolvimento? Como se conseguirá obter uma melhoria generalizada da produtividade nacional?

A força crescente das letras, das artes e do conhecimento científico, a melhoria dos índices da educação, o alargamento do usufruto da cultura, são algumas das transformações estruturais que se devem operar a par da inovação dos processos e modelos de negócios.

Nunca se deve deixar de equacionar que a região Centro e a cidade da Guarda no contexto nacional possuem uma situação geográfica privilegiada, sendo o nó de ligação entre o Norte e o Sul, o interface modal da plataforma atlântica e continental, locais com fortes potencialidades para atraírem quem quer investir.

Assim as instituições regionais e locais devem assumir- se como “clusters” tendo o papel de fomentar a inovação, e fixar investimentos, captar o crescimento e garantir a coesão territorial e social.

Nesta quadra natalícia propícia à reflexão, a minha vontade firme é que no meu País o Futuro se escreva com letra maiúscula, onde os Homens, no presente tal como no passado saibam estar à altura dos maiores desafios.

Para todos Feliz Natal.

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