A fome e a globalização

Contrariamente ao que tenho vindo a escrever, desta vez, e porque estamos na quadra natalícia, vou referir-me a causas.

Começo por desejar umas Festas Felizes a todos, sem cometer o acto de hipocrisia de considerar que todos, nesta época do ano, estão perdoados.

Apesar de tudo, devemos querer sempre muita saúde e que o ano de 2011 não seja pior que o de 2010.

Por ser Natal, vale a pena debruçar-me sobre a fome que grassa pelo mundo e, infelizmente, também em Portugal.

É do conhecimento público que determinados Países, para não deixar baixar as cotações, desperdiçam trigo, milho e outros alimentos. Por outro lado, também temos uma noção do que representam os desperdícios alimentares em muitos restaurantes, outros locais e até nas nossas próprias casas.

Conhecemos algumas organizações credíveis que podem fazer chegar esses alimentos aos necessitados. Daí que hoje me apeteça dizer que só há fome no mundo e, mais concretamente, em Portugal, porque os homens/mulheres querem.

É uma questão de organização e boa vontade. Uns davam o que esbanjam, outros poderiam transportar, com uma boa Instituição bem organizada, poderíamos ter um Mundo sem fome.

Mas, infelizmente, independentemente das doutrinas políticas, credos ou religiões, neste caso concreto, o Homem Não Quer. E, quando alguém quer, levantam-se os problemas mais comezinhos que se possam imaginar. Uns dizem que parece que estamos a fazer caridade; outros que o problema é a falta de políticas de emprego; outros que trabalho há muito, é preciso que trabalhem.

Enfim, um sem número de desculpas para que a fome no mundo se mantenha.

Isto porque aqui, sim, poderia funcionar o que hoje chamam, pomposamente, a Globalização. Não se pode falar da globalização quando esta significa, exclusivamente, os mercados mundiais, o sistema financeiro e/ou económico.

Estive, há dias, em Barcelona, onde os laços da equidade, da igualdade de oportunidades não são meras figuras de retórica. Nem de propósito, numa cidade com centenas de milhares de turistas, assisti a uma manifestação cívica contra a fome e verifiquei a reacção favorável de asiáticos, alemães, italianos, portugueses, franceses, à mensagem que pretendiam transmitir.

Numa das tarjetas podia-se ler: “Ni Banderes, Ni Fronteres – www.solidariedad.net” e noutro lia-se: “ Hambre, Paro y Esclavitud Infantil – Crimen Politico, No Mataras”.

Na Catalunha, o humanismo no sentido mais puro da palavra é sentido com muita intensidade, mesmo à margem dos partidos políticos e das igrejas.

Esta é a mensagem que pretendo hoje fazer passar, neste Natal de 2010.

A semana foi próspera de acontecimentos e não acontecimentos políticos.

O acontecimento político mais relevante foi a demissão do Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Dr. Carlos Encarnação, a cerca de um mês das eleições presidenciais.

Sem querer ser pretensioso, conhecendo, minimamente, o Dr. Carlos Encarnação e, sendo ele um apoiante do Dr. Cavaco Silva, esta sua atitude não pode ser só pelo simples facto de se ter esgotado o seu “amor” por Coimbra, uma vez que a inoportunidade política da sua atitude não está compaginada com a sua sagacidade política.

Mas, como em tudo na vida, por vezes, valores mais altos se sobrepõem à nossa vontade.

O não acontecimento político é a falta de resposta do Ministério das Obras Públicas ao Metro para Coimbra, demonstrando assim que, tal como já anteriormente disse, a nossa razão só chega a Lisboa, se tivermos força e não tomarmos a atitude permanente de bem comportados.

O ruidoso silêncio sobre este assunto faz-me antever que, uma vez mais, Coimbra vai fraquejar perante Lisboa.

Reiterando os votos de Festas Felizes, em particular de muita saúde, despeço-me até 2011.

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