A cidade e o concelho com Carlos Encarnação

O assunto principal da passada semana e que motivou diferentes reacções dos cidadãos e opiniões diversas nos meios políticos, sociais e culturais sustentou-se na renúncia do Dr. Carlos Encarnação na presidência da Câmara Municipal de Coimbra. Um tema especial, talvez daqueles que a cidade “gosta” para preencher algum tempo de conversa e “agitar” alguma da modorra quotidiana.

As razões que provocaram aquela atitude irreversível foram apresentadas, publicamente, pelo ex-presidente, quer aos seus companheiros da coligação autárquica, quer à Comunicação Social. Os motivos ficaram, portanto, disponíveis, para cada cidadão tirar as ilações que julgar convenientes, interpretando, livremente, as causas da renúncia.

Nós que conhecemos o Dr. Carlos Encarnação há dezenas de anos e com ele trabalhámos durante oito anos ininterruptos, pensamos que para um político com tanto saber e experiência e tão dedicado à sua cidade, somente argumentos muito fortes poderiam levá-lo a assumir tal decisão. Apresentou-os e aceitâmo-los. É o pensamento que nos assiste depois de nos interrogarmos e colocarmos na nossa balança analítica os prós e contras desta inesperada saída. Felizmente, funciona a democracia

No passado dia 15 e cumprindo o programa da sua agenda, o Dr. Carlos Encarnação fez a visita solicitada pela Direcção de A Previdência Portuguesa ao seu Jardim de Infância e à Creche-Berçário (supomos foi o último acto oficial), sendo acompanhado pelo então Vice-Presidente, Doutor João Paulo Barbosa de Melo.

Terminada a visita e em particular, conversámos alguns minutos sobre a decisão que tomara e fora divulgada na véspera. Expressámos a nossa opinião e recebemos as suas respostas. Manifestámos o nosso dever de munícipe e de antiga amizade e expusemos os nossos pontos de vista. O diálogo quedou-se com um abraço.

Na segunda-feira lemos um texto do Engº João Paulo Craveiro e outro do Dr. Marcelo Nuno cujos conteúdos afinam pelo mesmo diapasão acerca do valor, do prestígio, da capacidade e da experimentada liderança que demonstrou como Presidente do Município conimbricense. O Marcelo Nuno que com ele trabalhou, como nós, veiculou, ainda, a liberdade de acção dada nas competências delegadas aos vereadores e equipas de trabalho e direcção, assim como o relacionamento que pautava a sua inquestionável conduta.

Comungamos das palavras dos dois munícipes e afirmamos que tivemos com o Dr. Carlos Encarnação uma relação de franca postura institucional e saudável cordialidade, sempre disponível para receber as nossas iniciativas e opiniões, a qualquer hora e em qualquer lugar, testemunhando que os eleitos devem estar ao serviço do povo e atentos a ouvir, a ler e a analisar quaisquer reivindicações ou sugestões dos munícipes, sejam justas ou não, contudo merecedoras de atenção. É, assim, o Dr. Carlos Encarnação.

Ao rol de obras enunciadas por João Paulo Craveiro devemos acrescentar, mais algumas que agora nos lembramos: a Casa Miguel Torga, a Torre de Almedina, a Ponte Pedro e Inês, a construção, recuperação, ampliação e restauro de sedes de e para grupos e companhias de teatro, de associações culturais, de grupos de folclore e museus, instalação de bibliotecas concelhias e bibliomóvel, criação de novos sectores da cultura, exemplo da Divisão de Museologia e Gabinete de Arqueologia, Arte e História, edição de monografias e outras publicações, construção e ampliação de cemitérios, estradas, pontes, habitação, saneamento, água, etc.

Este texto pretende afirmar que Carlos Encarnação deixa importantes e desejados empreendimentos a Coimbra, e esta, de certeza, não o esquecerá, porquanto a sua acção contribuiu para o engrandecimento e progresso da cidade e do concelho.

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