“Este edifício é uma oportunidade de ouro”

“O possível faz-se imediatamente e o impossível demora mais um bocadinho”. As palavras do presidente da autarquia, Carlos Encarnação, vão de encontro aos anseios de muitos quantos esperaram pelo momento de ontem: o Conservatório de Coimbra esperou 25 anos por instalações definitivas, por isso, mais do que um momento oficial, o descerramento da placa foi um instante emotivo para aqueles que encheram o edifício da rua Pedro Nunes.

”Quando entrei aqui fiquei extremamente emocionada, porque a realidade ultrapassou o nosso sonho”, afirmou a ministra da Educação, Isabel Alçada, ao intervir na sessão inaugural do espaço que acolhe o conservatório e a Escola Secundária da Quinta das Flores. O edifício é partilhado, em termos pedagógicos, pelas duas instituições de ensino, o que demonstra “como é possível a ligação estreita entre as humanidades, as ciências e as artes”. Além disso, nas palavras de Manuel Rocha, diretor do Conservatório de Música, o dia de ontem representou “uma espécie de união de facto”, em que as duas instituições se unem sem se perder a identidade.

Investimento

de 23 milhões de euros

Depois de, durante a visita ao edifício, ter surpreendido a comitiva ao executar, num dos pianos existentes, uma música de amor (a “Valsinha”, de Chico Buarque de Holanda), a ministra da Cultura, lembrou que “a música é uma área do ensino artístico que tem de ser cuidada com muito carinho”.

Gabriela Canavilhas salientou ainda o caminho “absolutamente extraordinário” percorrido na educação artística em Portugal nos últimos anos. Caminho esse que – asseverou – “é também uma conquista da democracia”.

Em relação ao ensino da música, disse ser “um mundo de aprendizagem contínua, de exigência, rigor e qualidade”. “O fator sorte não está no espreto das políticas educativas. Elas oferecem instrumentos para que cada um possa ter a oportunidade de aprender e seguir a sua vocação”, disse a pianista.

“Este edifício é uma oportunidade de ouro. Que a partir daqui, Coimbra se projete cada vez mais ao nível do ensino artístico”, acrescentou.

Assinado por José Paulo dos Santos, o edifício representa um investimento de 23 milhões de euros e está dotado de um auditório com 387 lugares, biblioteca, refeitório, bar, bem como laboratórios e salas destinadas o ensino e à prática da música.

A escola Quinta das Flores foi a 53.ª secundária intervencionada pela Parque Escolar EPE, em todo o país. É igualmente a segunda das seis escolas oficiais de música a beneficiar de uma obra de fundo (a primeira foi a do Porto). Em termos globais, encontram-se mais 60 escolas em fase de obra e ainda 77 fase de concurso para empreitada.

Durante a cerimónia, foram assinados contratos de adjudicação correspondentes a seis escolas secundárias, todas pertencentes ao Sul do país.

Sobral Henriques, diretor da Escola da Quinta das Flores afirmou que, agora, funcionários e professores de ambas as instituições iniciam, lado a lado, trajetos de criação de realidades educativas que, cruzando potencialidades, diversificam a oferta educativa de uma e outra escola.

Numa inauguração que contou com um concerto pela Orquestra de Sopros com alunos do Conservatório de Música de Coimbra, prestou-se homenagem à educação, à arte e ao futuro.

“O sonho é todo este”, disse Encarnação. Que Coimbra saiba cumpri-lo.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*