Um frustrado Movimento Republicano

Os portugueses mais inquietos preocupam-se com a forma como vão pagar as contas de cada mês, mas, outros encolhem os ombros e esperam que as coisas se resolvam por obra dos que nos governam. Alheiam-se do real e fazem a derrota dos que reivindicam.

Na verdade, comprova-o Luciano Amaral num livro sobre as últimas décadas da Economia Portuguesa, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde mostra como a economia portuguesa se transformou numa economia dependente, onde “de soberano endividado, Portugal passaria então a região subsidiada de uma grande unidade económica europeia” (p. 96). E assim ao fim de pouco mais cem de anos, perdem-se as esperanças despertadas “Em Coimbra, (quando se ) inauguraram no dia 22, as conferências no Centro Republicano Académico, falando proficientemente o conhecido orador e considerado médico, dr. Malva do Vale, que foi aplaudidíssimo pela concorrência extraordinária de ouvintes”.

Esta situação indigência foi a que nos deixou a monarquia e nela continuámos. Mas se o livro de Luciano Amaral esclarece em muito a caminhada de Portugal para a insolvência, esquece-se de incluir nesta sua análise as muitas derrapagens das contas públicas portuguesas que, por todo o lado, aumentaram os custos das obras públicas para valores inconcebíveis. E em Coimbra teria logo que contar o estranho caso da Ponte Rainha Santa e na Guarda o estranhíssimo caso do Matadouro.

Paradoxalmente, não toca o problema da agricultura desaparecida, logo e quando Portugal foi um dos países mais “beneficiados” pela integração europeia na atribuição de subsídios às explorações agrícolas. Nem sequer fala do desaparecimento da nossa frota pesqueira e, muito menos das razões porque a indústria foi desaparecendo… Seria interessante explicar a razão destas falhas empresariais e de administração pública.

Teríamos assim ocasião de criticar a qualidade de gestão das nossas empresas. Aqui sem esquecer as razões da falha dos serviços públicos no apoio às empresas bem como do controlo da sua gestão. Teríamos assim oportunidade de saber como profissionais bem pagos, os gestores, têm tão fracos resultados, necessitando de preços elevados em relação à Europa. É o caso da EDP pois lhe faz crescer os lucros, prejudicando a competitividade da economia portuguesa. Também teríamos que observar bem as razões dos custos elevados das obras públicas e dos atrasos continuados na sua conclusão. Teríamos então uma outra possível e bem mais verídica história desta nossa tragédia… para assim explicar o mau desempenho da economia portuguesa. Para completar o quadro negro, teríamos que analisar a falta de controlo da tutela do sector financeiro que devemos atribuir ao Ministério das Finanças e ao Banco de Portugal. E na falta de controlo da nossa economia e da nossa finança, encontraríamos as razões da crise actual e, também, a forma de a ultrapassarmos.

Porque não o fazemos?

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