Traineira que naufragou na Figueira não tinha seguro

A traineira que naufragou há cerca de um mês na barra do porto da Figueira da Foz não possuía seguro em vigor, por falta de pagamento, disse à agência Lusa fonte da seguradora Murimar.

A operação de remoção da traineira, realizada a 29 de outubro, três dias após o naufrágio, foi assumida pela administração portuária, por questões de segurança e operacionalidade do porto da Figueira da Foz, cuja entrada e saída de navios se encontrava condicionada.

Na ocasião, as entidades envolvidas justificaram a opção dado o armador – a cooperativa Dádiva do Mar – não ter chegado a acordo com a seguradora sobre os custos da remoção e esta ter feito depender a intervenção de uma vistoria prévia à embarcação naufragada.

“É absolutamente falso que tenha sido exigida uma peritagem. A autoridade marítima terá sido induzida em erro pelo armador” já que, “à data do naufrágio não existia seguro”, disse à Lusa Alexandra von Bohm-Amolly, advogada da seguradora Murimar.

Acrescentou que quando o naufrágio ocorreu “a apólice de seguro que vinculava ambas as empresas [seguradora e armador] já se encontrava rescindida e sem efeito, por falta de pagamento dos prémios devidos pela referida apólice desde o mês de fevereiro” de 2010.

De acordo com Alexandra Amolly a seguradora espanhola foi alertada para uma transferência bancária “não justificada” da parte do armador, dois dias depois do naufrágio.

“[A Murimar] tinha várias vezes advertido o armador mas foi tendo alguma paciência”, referiu a advogada, adiantando que a falta de pagamento determinou, no verão, a rescisão do contrato.

“Quando percebeu que estavam a atentar pagar um contrato já rescindido devolveu o dinheiro”, acrescentou.

Ouvido pela Lusa, o comandante do Porto da Figueira da Foz, Malaquias Domingues, confirmou que a autoridade marítima foi notificada pelo representante legal da seguradora de que, à data do naufrágio, o a armador não tinha seguro em vigor.

“Quando se deu o naufrágio o armador apresentou uma apólice. Mas não pedi nenhuma fatura de pagamento”, argumentou.

Disse, no entanto, que a cooperativa proprietária da traineira Vila de Buarcos, depositou uma caução – cujo valor não foi revelado – “que cobre as despesas previstas com a recuperação da embarcação”, nomeadamente as operações de reflutuação.

“Eventualmente, compete à autoridade portuária imputar outros custos devidos à operação que veio a desenvolver”, referiu, aludindo aos trabalhos de remoção da traineira para a praia do Cabedelinho, onde ainda se encontra, à espera de ser desmantelada.

Quanto ao inquérito às causas do naufrágio, encontra-se em curso, disse Malaquias Domingues.

A agência Lusa tentou ouvir os responsáveis da cooperativa Dádiva do Mar mas os contactos resultaram infrutíferos.

Por seu turno, José Luís Cacho, da administração do Porto da Figueira da Foz, alegou que as questões relativas ao seguro da embarcação competem à autoridade marítima.

Questionado, no entanto, sobre eventuais custos acrescidos da operação de remoção e desmantelamento da traineira, disse que a questão vai ser tratada “com os pescadores e a Capitania do Porto”.

“Vamos procurar uma solução”, frisou.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*