Innovnano tem urgência na unidade de Coimbra

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A Innovnano é uma empresa do Grupo CUF, um grupo centenário na indústria química, e o maior grupo Português na área com fábricas em Portugal e Espanha.

A primeira unidade de fabrico de nanomateriais do país, criada pela Innovnano, deverá começar a trabalhar, em Coimbra, no final de 2011, criando 40 postos de trabalho diretos altamente qualificados.

André de Albuquerque garante que a unidade de Coimbra “é muito relevante” a vários níveis. “A evolução é muito rápida e temos já um conjunto de contactos com indústrias clientes que pretendem usar os nossos produtos, gerando o cash flow para fazer face a um conjunto de investimentos que temos vindo a realizar quer na unidade de Coimbra, quer em todo o processo de investigação e desenvolvimento que realizamos de forma sistemática”, disse.

Com vendas “maioritariamente” para o estrangeiro, a Innovnano tem como principais clientes “grandes multinacionais ou empresas focadas em determinados segmentos de mercado e que procuram encontrar vantagens competitivas pela via da diferenciação”, o que garantem com a incorporação dos nanomateriais.

E o que são nanomateriais? André de Albuquerque, CEO da Innovnano, afirma que “são materiais numa escala muito pequenina – um nanómetro corresponde à milionésima parte do milímetro –, que têm um conjunto de propriedades particulares que não existem no mesmo material a uma escala superior”. E prosseguiu: “são materiais muito valiosos, na medida em que, por via dessas propriedades, permitem criar aplicações diferentes ou obter propriedades diferentes em produtos já existentes”.

Hoje em dia, os nanomateriais são aplicados nas energias renováveis, nos painéis fotovoltaicos, nas baterias de íon lítio, nas fuel cell, por exemplo.

Tratamento médio ambiental e medicina (no tratamento do cancro) são outros dois setores em que estão presentes.

É este tipo de materiais que a Innovnano comercializa junto de “um conjunto de indústrias”, nomeadamente cerâmica avançada, revestimentos, tintas, químicas, automóvel. No último caso, para produzir ligas leves e de elevada resistência. “O revestimento das peças dos motores de combustão aumenta a resistência e o isolamento térmico, melhorando a termodinâmica e, por via disso, o rendimento dos motores”, explica André de Albuquerque.

Assim, o projeto previsto para o Coimbra Inovação Parque (iParque) é uma mais-valia em termos nacionais. Além da unidade fabril está previsto “um laboratório apetrechado com equipamentos de última geração”, de modo a corresponder à componente de “desenvolvimento e investigação muito intensiva” da empresa. Por outro lado, acrescenta o CEO da Innovnano “terá, também, uma vertente de controle de qualidade da nossa produção”.

Neste momento, o processo de licenciamento industrial está a decorrer e, logo que haja resposta, “daremos início à construção do edifício no iParque. “Estamos a trabalhar já nas questões de engenharia e cadernos de encargos, de modo a que, mal tenhamos a licença das autoridades, possamos iniciar a construção, pois pretendemos ter a unidade pronta a arrancar no final de 2011”.

André de Albuquerque justifica a escolha de Coimbra pela proximidade da “comunidade científica”, que considera um fator chave. “Fazer parte de uma comunidade composta por pessoas do meio empresarial e do meio científico é muito importante para o sucesso de uma empresa como a Innovnano, que atua num setor em que as questões tecnológicas são tão relevantes”, considera.

As parcerias com várias instituições científicas da região e o acesso a recursos humanos altamente qualificados são outras das vantagens. “Estamos em Coimbra, perto da Universidade de Aveiro, que é forte em materiais, e não estamos longe da Universidade do Porto com quem também trabalhamos”, explica.

A unidade de Coimbra será uma referência a nível internacional, já que a vantagem competitiva da Innovnano resulta “de um processo de fabrico único a nível mundial, com quatro patentes concedidas e duas requeridas”. A empresa pretende afirmar-se como um “produtor global de nanomateriais, assumindo posição de liderança. O objetivo é ambicioso, mas na Innovnano está tudo pronto para o sucesso.

ComCentro

Opinião

Razões do medo

Norberto Pires

Presidente do CA do Coimbra iParque

Estou a ouvir a Mariza, num poema de Amália Rodrigues, a

definir vezes sem conta a condição de ser português:

É meu e vosso este fado

Destino que nos amarra

Por mais que seja negado

Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve um gemido

De uma guitarra a cantar

Fica-se logo perdido

Com vontade de chorar

Conseguem ouvir na vossa cabeça a voz embargada da Mariza

a cantar este fado fantástico? Pois, eu tenho a certeza de que somos

capazes de sobreviver a esta fase muito complicada da nossa

vida como nação.

Apesar disso, tenho medo, muito medo.

Medo de que o país não se mobilize e deixe passar o seu tempo.

Até porque já passaram 36 anos.

Medo de descobrir que para muitos pode já não valer a pena,

vencidos que estão pelo cansaço e pelo desânimo.

Medo que este projecto de nação não tenha valido a pena, e se vá

perdendo no tempo como mais uma cultura perdida.

Ao fundo, a Mariza continua a chorar:

Ó gente da minha terra

Agora é que eu percebi

Esta tristeza que trago

Foi de vós que recebi

Nós somos um povo com alma, com uma língua fabulosa, capazes

de tantos sentimentos bonitos e de realizações que mostram

bem o nosso génio. É altura de acreditarmos em nós próprios,

de nos mobilizarmos na construção da grande nação que somos

e que sempre adiamos.

Não aceito mais resignações.

Nem desistências.

Não é inevitável

que Portugal desperdice

a sua melhor geração.

Não aceito.

É um crime imenso.

O medo que eu tenho é o do desencanto.

É o medo do desalento,

E do brilho da tristeza.

É o medo de agora perceber

Que a alma aprisionada de um povo

Sentiu que vai morrer

Por favor não desistam.

Portugal vale a pena.

Nota: Mariza ao vivo em Lisboa:

http://www.youtube.com/watch?v=G4cyNK3BW7Q

O Livro

Lídia Jorge coloca muito do seu talento na construção de personagens densos e muito variados. É uma referência da literatura portuguesa e uma fonte de renovação do nosso imaginário romanesco. Este livro, que conta já 30 anos, é o tema da conferência de Eduardo Lourenço na segunda- feira, às 21H30, em Loulé. Como diz Eduardo Lourenço, este livro constrói-se como uma alegoria do país fechado, parado e adiado que Portugal era sob a ditadura, mas também dos acontecimentos posteriores à revolução de Abril. A não perder.

O Negócio

Fica no Largo do Poço, n.º 3, 1.º andar. Dá pelo nome de Salão Brazil e faz parte da história de Coimbra. É restaurante, sala de exposições e de atividades culturais, especialmente ligadas à música, com o jazz como “princípio” orientador. A recuperação do espaço foi exemplar. A carta tem muito para saborear e os menus de Natal dão direito, à borla, a Bolo Rei e espumante. O edifício centenário é o “embrulho” perfeito para o Salão Brazil. O “laçarote” são as pessoas. Festas felizes no… coração da cidade.

Para Ver

O Teatrão leva à cena, de 9 de dezembro a 29 de janeiro, uma peça baseada num texto de William Shakespeare de 1599. A peça trata de pessoas que querem ser outras pessoas, mudar de vida, mudar de papel. Como fazer uma peça escrita para ser representada na noite de reis desse ano faça sentido em Português, em Portugal, na transição entre 2010 e 2011? Um excelente encenador, uma excelente companhia de teatro e um boa sala são os ingredientes necessários para fazer desta peça uma experiência muito interessante que vale a pena ver. Vá ao teatro.

farpas@centro 

Seabra Santos foi um dos grandes reitores da Universidade de Coimbra. Mostraram interesse em suceder-lhe, a vicereitora Cristina Cordeiro e o diretor da FCTUC João Gabriel. São diferentes, pelo percurso de vida e pela forma como entendem a universidade. Ouve-se aqui e ali que alguns membros do conselhogeral gostariam de um candidato mais alinhado com o poder. Seria um mau serviço à UC. A UC ganha com a sua independência dos partidos políticos e com o seu desalinhamento.

Auto-Sueco Coimbra reforça presença no exterior

É a segunda aquisição nos últimos três meses: o Grupo Auto-Sueco Coimbra (ASC) adquiriu 50 por cento da espanhola Air-Rail, uma empresa líder no fornecimento de equipamentos para aeroportos, ferrovias e estruturas portuárias. De acordo com Ricardo Mieiro, CEO do Grupo ASC , a entrada no negócio da Air-Rail está relacionada com a dispersão do risco que o grupo quer ter, para evitar a excessiva dependência do ciclo da construção. A Air-Rail tem como objetivo de faturação para 2012 chegar aos 25 milhões de euros. A empresa espanhola espera crescer nos seus vários segmentos nos próximos anos, assim como nas diferentes linhas de atuação, que incluem: venda de equipamentos, aluguer (longa duração) de equipamentos e assistência técnica. O desenvolvimento do negócio da Air Rail em Espanha não esgota as ambições do grupo, estando previstos a entrada em novos países num futuro próximo.

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