Ideias em trânsito na Rua Larga

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Assumida como projeto âncora no desenho da política cultural traçado por João Gouveia Monteiro para a Reitoria da Universidade de Coimbra (UC) logo em 2003, a revista Rua Larga é hoje um objetivo plenamente atingido. E continuará a manter-se como um dos veículos privilegiados – a par do cada vez mais inevitável online – da comunicação da UC para o seu exterior, como sublinhou ao DIÁRIO AS BEIRAS José António Bandeirinha, o pró-reitor para a Cultura agora responsável pela publicação.

Com um total de 30 números – o 30.º é apresentado hoje mesmo, às 15H00, numa sessão a decorrer no TAGV –, em quase oito anos de publicação ininterrupta, a Rua Larga continua a definir-se como “uma revista aberta ao trânsito das ideias que circulam na Universidade de Coimbra”.

No lançamento a acontecer esta tarde “pretende assinalar-se também essa marca de permanência temporal”, pelo que foram convidados Fernando Seabra Santos, reitor da UC aquando do primeiro número e na atualidade, João Gouveia Monteiro, pró-reitor para a Cultura entre 2003 e 2007, que tutelou a criação da revista, e José António Bandeirinha, pró-reitor para a Cultura desde 2007.

Foi, aliás, João Gouveia Monteiro que fez questão de destacar alguns factos importantes, nomeadamente o estabelecimento de um quadro de assinantes, a disponibilização da revista online – www.uc.pt/rualarga –, a abertura a patrocínios privados e ainda a sua promoção em livrarias e eventos diversos.

E, para o seu primeiro responsável, este foi desde o início um projeto exigente mas muito profissional, “com uma editora competente (Clara A. Santos), um designer de qualidade (A. Barros), bons fotógrafos (Paulo Mora e João A. Ribeiro) e boa infografia (Pedro M. Duarte), para além de uma bela equipa de produção e administração (Isabel Terra, Ana Margarida Roque, Luísa Lopes, Ilídio B. Pereira)”.

Mais tarde, a partir de final de 2006 e até ao seu desaparecimento muito prematuro, na Primavera de 2009, a Rua Larga, recorde-se, teve como editor o jornalista João Mesquita.

Ainda de acordo com João Gouveia Monteiro, “o projeto causou de início um certo impacto, por ser arrojado e irreverente, mas os resultados do inquérito que se realizou ao fim de 16 meses e a vasta comissão de acompanhamento que avaliava a revista número a número garantiram-nos que estávamos no caminho certo”.

Reconhecendo isso mesmo, que “nos projetos de êxito não se mexe”, José António Bandeirinha assumiu “apenas alguma clarificação”, apostando sobretudo no apoio da comunidade universitária à publicação. O que, como referiu, continua a acontecer no âmbito da “comissão” de consultores que vem desde o seu início, contribuindo sobretudo com sugestões de conteúdos.

A “comunicação da Universidade de Coimbra para o seu exterior” é, ainda de acordo com José António Bandeirinha, um dos mais importantes objetivos da Rua Larga. E “tem sido conseguido”, disse o pró-reitor para a Cultura da UC, o que é possível perceber até pela forma como “a revista se espalha pelo mundo”, à semelhança, aliás, da própria Universidade de Coimbra, que tem representantes orgulhosos – sobretudo entre os seus antigos alunos – em todos os continentes.

Ao DIÁRIO AS BEIRAS, José António Bandeirinha destacou, nesta tarefa de levar mais longe a Universidade de Coimbra através da Rua Larga, o papel fundamental que tem desempenhado nos últimos tempos a Rede dos Antigos Estudantes da UC.

Porque, afinal, o que a Rua Larga tem procurado sempre, e tem conseguido, de acordo com o seu atual responsável, “é elevar do ponto de vista cultural a sua matriz genética”. Assim, naturalmente, “este é um projeto para levar por diante, sobretudo agora que já tem um passado e uma memória rica de 30 números e muitos e valiosos contributos”, concluiu José António Bandeirinha.

Para Pedro Dias da Silva – a assumir atualmente a responsabilidade pela edição da Rua Larga, que partilha com Marta Poiares –, “a tarefa é muito menos complicada dos que à partida se poderia supor”, uma vez que a revista estabeleceu um quadro de funcionamento eficaz. Destacando no conteúdo do n.º 30, a entrevista a António Pedro Pita, filósofo e pensador da “casa”, naturalmente também no seu papel de diretor regional da Cultura do Centro, Pedro Dias da Silva chama a atenção para o facto de a Rua Larga se ter transformado “no espaço por onde passa a Universidade de Coimbra”.

Aberta “ao trânsito das ideias que circulam na Universidade de Coimbra” desde Junho de 2003, a Rua Larga tomou o nome de empréstimo à via que atualmente assegura a ligação do Largo D. Dinis à emblemática Porta Férrea. Rua que, como diz a nota de apresentação da revista, antes da construção da cidade universitária como hoje se conhece, era já uma das mais importantes da Alta de Coimbra. E se por essa Rua Larga “antepassaram muitas histórias com os mais diversos protagonistas”, por esta outra, a revista, passaram igualmente e continuarão a passar outras tantas, histórias e protagonistas.

Quanto à rua, que foi conhecendo alguma estreiteza ao longo do tempo, acabou por ganhar recentemente uma vasta zona pedonal que “reanimou a nobreza da Rua novamente Larga”, graças ao projeto de Gonçalo Byrne, que soube “construiu a ponte entre passado e futuro”.

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