Exportação de talento

Felizmente, um jornal nacional (Público) trouxe à primeira página o que considero um dos maiores desafios para Portugal: a saída de capital humano . Perdemos demasiado tempo com as putativas vindas do FMI, com os chips das SCUTS, com o TGV, esquecendo o que é importante. Para um país sem grandes riquezas naturais – excepção para o Mar, que continua desprezado – e com elevados graus de dependência externa, resta-lhe um activo: as pessoas.

Ora, foi nas pessoas, por via da Educação, que mais se tem investido nas últimas décadas. Porém, percebe-se agora que andámos a engordar o porco para outros comerem. A imagem é esta, por muito rude que pareça. Gastam-se (e bem!) milhões em bolsas científicas e investiu-se como nunca na democratização do acesso e na massificação do ensino superior, todavia os números são cruéis: o Banco Mundial estima que 11% dos licenciados portugueses já saiu do país e o ISCTE aponta para 60 mil novos emigrantes, donde uma grande parte é gente com qualificações superiores.

Num país que envelhece isto torna-se ainda mais grave. Num país com a taxa de desemprego elevada é preocupante. Num país que não tem nenhuma estratégia para fazer regressar os seus mais qualificados poderá revelar-se, em breve, desastroso. A crise actual apenas veio revelar uma tendência inexorável para a qual os decisores deste nosso país ainda não acordaram. Quando o fizerem será muito tarde!

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