Escola Brotero – pedaços da sua história – 14

Foram 125 anos. Demos flores a Brotero, que nos emprestou o nome. Trouxemos à liça pedaços da nossa história, mais distante, mais recente. Perpetuámos a efeméride, com textos, com imagens. Gritámos o nosso amor à Escola, que não soltou amarras. Atámos mais forte os laços que uniam as mãos dos que nela cresceram ou fizeram crescer. Com a arte como força, com a esperança do rever. Vamos dizer adeus ao sonho de saborear a saudade do que se foi… mas ficou. É a hora de pisar novos trilhos, de dar mais um, mil passos em frente. Sem afrouxar. Sem recuos. Com aquela alma de sempre…

Foi uma festa de anos, que soou, que interpelou. Os arrimados ao passado? Ou os caminhantes do futuro? Um passado que não mergulhou nas águas escuras do Lete mas que, num incessante torvelinho de formas, cor e som, desliza no aqui e agora, rumo ao tempo e ao modo que a expectação dos nossos jovens pretende vislumbrar. Um futuro feito dos quereres de hoje.

Perpassa na linha da memória corrida o remoinhar do desejo e da acção, da luta e da conquista, do ousado, do sofrido, do que virou luz… ou sombra. Olham-se figuras – é nítido de ver! – como António Augusto Gonçalves, que construiu alicerces, Sidónio Pais, em cuja mente rivalizavam a Política e a sua Escola, Egas Moniz e Bissaya Barreto, que na Escola buscaram saberes, Battistini, areia brilhante de uma praia global, o nosso Paulo Ramos, que já não foi ao sarau … , e tantas outras que o botão do tempo faz correr.

Olham-se gerações de mestres e discípulos que ofereceram à cidade, ao país, ao mundo, técnicos e artistas de prestígio ímpar. Quão infindo é o rol das grandes figuras que a Brotero produziu para os bancos da Arte, da Ciência, da Técnica! No passado. Com ecos no presente. A identidade da Brotero de ontem sempre fervilhou nos bastidores, apesar das mutações sofridas… Num permanente encontro consigo própria. Com uma alma que se moldou por aí. E esses mestres e esses discípulos voltam a respirar de alívio.

Olha-se o olhar atento (muitas vezes pioneiro) que de há muito a Escola faz recair sobre quem sente difícil o acompanhar (veja-se o núcleo de alunos surdos…) Olha-se a consciência de um encarar positivo das não facilidades, que o passar dos anos avoluma. Olham-se as belíssimas peças do Museu em que a Brotero se tornou. De ver! Olha-se a consciência de Escola, de uma Escola em família, que sempre tentou promover. Que todos sentiram e muitos ainda sentirão. Olha-se a excelência, a qualidade como a mais saborosa das especiarias. Com a ajuda de quem sabe. Olham-se os tempos vazios preenchidos, na conquista de valores culturais, morais, cívicos, de vida plena.

Olham-se os “alunos da noite” como ex-libris em movimento. Olham-se os gritinhos chilreados dos meninos de um infantário seu, muito seu. Olha-se a Medalha de Ouro que brilhou nos cem anos. Olha-se a velha abertura ao mundo exterior, a sua capacidade de intervenção, no dar e receber, tirando partido. Os horizontes que há muito abriu no mapa da Europa e noutros mapas. Os muitos espaços por que passou – para não rejeitar os que vinham… As muitas iniciativas que toma (na prevenção de vícios sociais, no combate ao insucesso, na busca de bem-estar, na aproximação às famílias…). O orgulho que tem de si.

A Brotero viveu um passado, de que tira lições, vive um presente de alegria e esperança, entrando na vanguarda dos tempos. A Brotero relança-se. A Brotero, escola de todos, não quer retroceder. Quer manter a sua identidade.Com o eu de sempre, na sua forma melhor.

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