Crise obriga famílias a partilhar casa

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Foto de Luís Carregã

Depois de terem perdido quase tudo, ou pouco terem conquistado ao longo da vida, há dezenas de famílias em Coimbra que nem casa têm para viver.

Há, pelo menos, 40 famílias registadas pelos serviços sociais da Câmara Municipal de Coimbra, que não têm outra solução senão viver em instituições de acolhimento – por exemplo a Casa das Cruzes – ou em alojamento emprestado.

Cerca de uma centena de outros agregados familiares do concelho vive em coabitação entre eles, ou em situação de sobreocupação das casas.

São dados do Departamento de Habitação da autarquia que pecam por defeito, porque há muitos outros casos em que as famílias perdem a habitação onde vivem por incumprimento das prestações bancárias e regressam à residência dos pais e avós, sem nunca pedirem ajuda institucional.

Grande parte dos registos refere-se a famílias monoparentais, em que a mãe assume o sustento dos filhos menores.

“É o lado mais fragilizado da crise”, observa o vereador Francisco Queirós, associando este fenómeno “ao agravamento da crise social no quadro da redução dos apoios sociais”, seja por causa dos dois Planos de Estabilidade e Crescimento (PEC) em vigor, seja pelos cortes previstos no Orçamento do Estado, recentemente aprovado na generalidade.

A atualização dos dados aponta para um aumento do número de pedidos de casa social à câmara, dos 520 em maio último para os cerca de 600 que figuram agora nos registos.

Tal como o DIÁRIO AS BEIRAS adiantou na edição da passada quarta-feira, uma décima parte destes pedidos (60) têm classificação de “urgente”, atendendo às más condições de habitabilidade dos agregados familiares.

Os casos de Alda Laranja, Graça Melo e Isabel N., casadas solteiras ou divorciadas, mas todas com filhos menores, são situações sinalizadas como prioritárias pelo respetivo departamento. Por isso terão resposta positiva ainda este mês. Mas muitos mais casos estão em lista de espera.

O parque de habitação municipal em Coimbra é constituído por cerca de mil fogos, quase integralmente ocupados, ou em obras, por isso “torna-se evidente a urgência de criar mecanismos internos mais eficazes na atribuição de habitação”, reconhecem os respetivos serviços de apoio.

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