Comissão de Trabalhadores da Citröen de Mangualde critica administração

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Peugeot Citroën de Mangualde acusou a administração da empresa de impedir hoje a realização de um plenário alegando que tinham de ser garantidos os serviços mínimos.

O presidente da CT, Jorge Abreu, garantiu aos jornalistas que o plenário foi convocado “dentro de todas as formalidades que a lei obriga e antecipadamente, com mais de 48 horas”.

“Fomos surpreendidos hoje, a cerca de uma hora do início, com uma tomada de posição da administração da empresa de que o plenário era ilegal e que não consideraria como trabalho efetivo o tempo em que os trabalhadores se deslocassem para o plenário”, lamentou.

Segundo Jorge Abreu, a administração “alega serviços mínimos, mas esta empresa não tem serviços mínimos”, pelo que será marcado um novo plenário.

Por outro lado, considerou “lamentável” que hoje fossem impedidos de entrar nas instalações da empresa dois elementos da Comissão de Trabalhadores e dois delegados sindicais que iam participar no plenário.

Contou que o argumento foi de que “não tinham autorização para entrar nas instalações da empresa” e que só o poderiam fazer “no horário de trabalho, quando a legislação é bem clara sobre isso: que os membros da CT ou delegados sindicais têm total liberdade de circulação nas instalações da empresa”.

Neste âmbito, Jorge Abreu avançou que a CT vai novamente apresentar queixa à Autoridade das Condições de Trabalho (ACT), criticando que esta não tenha ainda tomado posição escrita sobre a bolsa de horas em vigor há quase dois anos e que “considerou ilegal” quando visitou a empresa.

Para a CT, “os trabalhadores têm sido prejudicados, e muito, com a bolsa de horas”, da qual a empresa “usa e abusa”.

“E neste momento prepara-se não sei para quê. Se calhar para tomar medidas mais drásticas e mais penalizadoras para os trabalhadores. Daí nós termos apresentado uma proposta reivindicativa à administração da empresa e termos sentido que não houve abertura e disponibilidade para a negociar num tempo próximo”, contou.

Os trabalhadores pretendem “um aumento de salário de um euro por dia” para todos, ou seja, “no mínimo, de 30 euros por mês”, de forma a ajudar o orçamento familiar dos trabalhadores.

“Não podemos esquecer que a empresa anunciou que pretende, até ao final do ano, ter um crescimento na ordem dos 50 por cento. Por isso, não podemos aceitar de maneira nenhuma que se preparem para dar aumentos irrisórios ou mesmo desviar-se de aplicar aumentos salariais”, acrescentou.

Jorge Abreu apelou aos trabalhadores que adiram à greve geral de quarta feira, “porque depois de uma posição antissocial e antidemocrática desta administração não pode ser dada outra resposta se não a participação de uma forma muito clara e inequívoca dos trabalhadores”.

A Lusa não conseguiu obter uma reação da administração às acusações da CT.

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