Adesão “histórica” à greve em Leiria

A União dos Sindicatos do Distrito de Leiria (USDL) e a UGT-Leiria consideram que a adesão à greve geral é “histórica”, destacando que o protesto se faz sentir hoje (24) em todos os setores de actividade.

O coordenador da USDL, José Fernando, disse à Lusa que se trata de uma “grande greve geral”, adiantando que no distrito de Leiria o protesto “está a superar as expetativas”, embora ressalvando que os dados são provisórios.

Segundo José Fernando, na saúde, “houve adesão de 100 por cento em vários turnos nos hospitais de Peniche e Pombal”, sendo que no hospital de Leiria associaram-se ao protesto “51 por cento dos trabalhadores”, enquanto em Alcobaça “foi de 43 por cento”.

O responsável adiantou também haver “várias escolas encerradas”, apontando casos de estabelecimentos de ensino onde hoje não há aulas nos concelhos da Alcobaça, Marinha Grande, Nazaré, Pombal e Leiria.

O sindicalista afirmou ainda que vários serviços públicos por todo o distrito estão a garantir apenas “os mínimos”, referindo estações de CTT, tribunais, Finanças ou autarquias. A Câmara de Ansião está mesmo encerrada, confirmou o seu presidente.

Já no setor privado, José Fernando referiu que na empresa Vista Alegre, em Alcobaça, “houve num turno adesão de 100 por cento dos trabalhadores”, enquanto noutro “de 75 por cento”.

José Pedro Adrião, da UGT-Leiria, realçou que a adesão vem “dar razão aos sindicatos e provar que os trabalhadores querem uma alteração de política”.

Para o responsável, “a greve está a ser um sucesso”, embora “seja muito mais expressiva no setor público do que no privado”, situação que atribui ao medo.

“O protesto não paralisou o distrito, porque o medo está a fazer-se sentir e o protesto penaliza os trabalhadores em termos salariais”, frisou José Pedro Adrião.

Por seu turno, o presidente da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria disse não acreditar num “grande impacto da greve” no setor privado, admitindo que a adesão dos funcionários “resultará, principalmente, de motivações partidárias e da insatisfação com o desemprego que tende a crescer”.

Ribeiro Vieira considerou que “a greve dos serviços públicos tem impacto na actividade empresarial privada mas não haverá grande perturbação direta”.

O empresário acrescentou que esta “é, sobretudo, uma greve dos trabalhadores públicos”, referindo que “é sobre o setor público que têm que incidir as medidas mais restritivas em relação à despesa do Estado. Por muito que custe, o Estado tem muitas estruturas, institutos, organismos e gasta muito dinheiro nisso, bloqueando o progresso do país”.

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