A política hoje

Quem assistiu ou acompanhou de perto o debate na Assembleia da República sobre o Orçamento de Estado, interrogou-se certamente se tinha havido previamente um acordo entre o Governo e o PSD para a sua viabilização.

O tom foi duro de parte a parte, e comprovou em definitivo que tal acordo foi apenas estratégico e, por isso, momentâneo. Acreditemos que foi mesmo em nome do interesse nacional face à turbulência dos mercados e ao impacto na nossa economia.

Mas se é assim, custa a perceber que se esteja em vésperas de aprovação final global e ao mesmo tempo se assista a um desfilar de críticas sobre a irresponsabilidade de uns e a vontade de outros.

Será que não era altura de uma acalmia, ainda que fosse, tal como o referido acordo, de ordem estratégica para mostrarmos solidariedade com o País e sairmos um pouco do radar dos mercados financeiros?!

Mas não!

A cada dia que passa somos confrontados com notícias que nos deixam apavorados com a situação de hoje e particularmente com a do futuro.

O Ministro das Finanças, que obviamente tem falado demais quando lhe era exigido cautela e ponderação, veio dizer-nos que os juros da dívida pública acima dos 7% tornaria inevitável a entrada em cena do FMI.

Infelizmente o momento chegou e há que tentar sossegar as hostes, porque afinal esse número mágico (ou fatídico!) não significa nada. O que importa é o trabalho que temos de realizar em conjunto.

Depois pôde ler-se que o Banco Central Europeu nos pode tirar o tapete em 2011 e finalmente de uma maneira muito clara e objectiva (valha-nos isso), o Presidente da República a clamar como sempre tem feito e com muita clareza que a retórica de ataque aos mercados é um erro e em nada ajuda a nossa economia e o combate ao desemprego. É um conselho avisado da experiência e da ponderação.

É isso que distingue os políticos dos estadistas. E Cavaco Silva representa, agora mais do que nunca, algo de fundamental para o Portugal de hoje – a responsabilidade – para motivar e fazer acreditar que é possível resolvermos entre nós os problemas que aí estão e infelizmente sem fim à vista.

É que na verdade, ou muito me engano, ou estamos a sofrer por antecipação. O ano que aí vem há-de trazer-nos porventura dificuldades bem maiores para o financiamento do Estado e assim mais dificuldades para as empresas e para as famílias.

Mas disso falaremos depois. Até lá era mesmo fundamental que em vez de anteciparmos cenários de crise política, nos mobilizássemos para vencer os ataques extermos à nossa já tão débil economia.

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