À mesa do orçamento

Na mesa em que foi servido o mais recente Orçamento de Estado sentam-se os mais ricos e poderosos. PS e PSD – desta vez não foi preciso que o CDS entrasse em cena – de bandeja na mão servem banqueiros, grupos económicos, nacionais e estrangeiros, toda a pandilha que não se cansa de – em nome da crise – pedir, e explicar nas televisões e jornais que são seus, mais sacrifícios, mais cortes, mais medidas de austeridade.

Um verdadeiro banquete está prestes a ser servido. Os senhores da PT, depois da negociata em torno da venda da VIVO à Telefónica que lhes meteu 1500 milhões de euros no bolso, preparam-se para livrar mais de 200 milhões de euros do fisco – o equivalente aos cortes no abono de família – numa consentida fuga aos impostos que o Governo apadrinhou. Os senhores do BES, do BPI, do BCP ou do Totta enchem a pança com mais de 4,6 milhões de euros de lucros por dia praticamente limpos de impostos. Os grandes accionistas da EDP, preparam-se para um novo recorde nos lucros anuais, ao mesmo tempo que anunciam a subida do preço da electricidade já a partir de 2011 prejudicando as famílias e as pequenas empresas.

Para os trabalhadores e para o povo sobram migalhas. Os cortes salariais, o aumento do IVA, os cortes na saúde, na educação, ou no investimento público, as privatizações, são os ingredientes necessários para acumulação e concentração de capital que o poder político serve à mesa do poder económico.

“Eles comem tudo e não deixam nada” dizia assim o cantor. Palavras que ecoam hoje com uma gritante actualidade e que nos impelem a reagir face ao roubo que está a ser ao país.

Tal como em tantas outras situações por esse país fora, razão têm as populações da Lousã e de Miranda do Corvo em protestar contra o roubo da linha de caminho de ferro, exigindo a sua electrificação e a reposição dos carris, recuperando o ramal da Lousã e o direito à mobilidade e ao progresso. Razão tem o PCP em apoiar e estimular essa e tantas outras lutas. Todas as que forem necessárias para que um dia os trabalhadores e o Povo sejam donos deste país.

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