24 de Novembro

Cortaram-se pensões e apoios sociais e aumentaram-se impostos. As pessoas deveriam calar-se, “não havia alternativa”. Cortou-se investimento público. Continuava a não haver alternativa. Cortou-se em serviços públicos, como a saúde e a educação, pela sempre e continuada falta de alternativa. Cortaram-se salários e à terceira é que era mesmo de vez. PS e PSD prometiam-nos, assim, a estabilidade.

Veio depois o acordo no orçamento. Um orçamento que reforça todos os cortes. E, no fim de tudo isto, a estabilidade continua a ser uma promessa.

Esta semana para ajudar ao “pacote”, quebraram-se as negociações sobre o Orçamento Europeu. Alguns dos países mais ricos não estão disponíveis para “ajudar” a pagar a factura dos mais pobres, mas mostram-se impávidos perante os lucros que a crise dos outros gera para a banca. Nada que não se esperasse, infelizmente. Ironicamente, é caso para dizer que, à medida que a crise se consolida, a coesão europeia ganha um novo significado.

Faltam 10 dias para a greve geral. Nunca é demais lembrar o sentido e as razões desta greve. É por isso também que é importante lembrar que só poderemos vencer a “inevitabilidade” que nos tem sido imposta e criar alternativas se houver uma mobilização popular forte. Nos últimos meses, houve já sinais de descontentamento, houve já manifestações, houve já greves sectoriais. No dia 24 teremos a possibilidade de juntar forças e deixar bem claro que o futuro está também nas nossas mãos. Ou damos uma resposta clara ou podemos esperar passivamente por mais PECs, por maior empobrecimento das populações já de si mais desfavorecidas e por um reforço das desigualdades.

O direito à greve, à indignação e à apresentação de alternativas foi constituído como um direito de todos e de todas. Mas não podemos esquecer que, nos últimos anos, houve sectores crescentes da população a quem esse direito foi retirado. Falo, por exemplo, dos bolseiros de investigação e dos trabalhadores precários. A esses não lhes é dada escolha. No dia 24 de Novembro a escolha é entre uma vida melhor e mais solidariedade ou um agravamento das condições de vida e cada vez mais desigualdade. A opção será, naturalmente, de cada um e de cada uma. Acredito que juntos seremos mais fortes.

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