Serenata de Coimbra em “território futrica”

Será a primeira vez, em toda a história da Academia, que uma serenata monumental se realiza “em território tradicional dos futricas”. É já esta madrugada.

João Luís Jesus, dux veteranorum, o responsável máximo pela praxe, reconhece que a intenção da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (DG-AAC) em deslocalizar a serenata para a Praça do Comércio é “boa”, mas não deixa de frisar que esta mudança traduz “um rasgar muito forte com as tradições estudantis”.

No entanto, João Luís Jesus, que soube da novidade pela rede social do Facebook, disse ao DIÁRIO AS BEIRAS que “as coisas evoluem e que caberá à Academia decidir se uma tradição se deve ou não manter”.

Recorde-se que o propósito desta mudança é mais uma tentativa de aproximar a DG-AAC da cidade. Um princípio que “cai nas graças” de João Luís Jesus. O único senão – como referiu – é a mudança para “território futrica”. “A mim provoca-me uma espécie de formigueiro”, afirmou.

Luís Alcoforado, intérprete da canção de Coimbra e um dos mais influentes elementos do processo de retoma de tradições no princípio da década de 80, diz que sempre defendeu que a serenata da Festa das Latas não deveria ser realizada na Sé Velha, mas antes “guardada” para a Queima das Fitas.

Além disso, o presidente da Empresa Municipal de Turismo é da opinião que a justificação da direcção-geral faz todo o sentido. “Se as noites do parque já se realizam na margem esquerda, parece-me que se possa estender este tipo de iniciativa para além das antigas muralhas medievais”.

De resto, enquanto responsável pela área de turismo, Alcoforado diz que, aconteça onde acontecer, a serenata terá sempre muito público. O que importa, neste particular, “é a revitalização de certos espaços e o envolvimento com a cidade”, frisou.

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