Ruivo festeja, Baptista protesta

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Por um voto se ganha, por um voto se perde. A velha máxima aplica-se por inteiro às últimas eleições para a Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista. Se do lado de Mário Ruivo a noite/madrugada foi de festa, já o mesmo não se poderá dizer no edifício da Oliveira Matos, onde Victor Baptista marcou presença. Aqui, o sentimento era de desilusão e, ao mesmo tempo, de protesto perante o conhecimento de algumas situações que os apoiantes da candidatura do atual líder querem ver esclarecidas.

Mas comecemos pela festa. Mário Ruivo chegou ao Hotel Dona Inês perto das 23H30, sendo abraçado por alguns dos apoiantes que gritavam pelo nome do candidato vencedor. Ao todo, cerca de uma centena de socialistas. Ninguém escondeu a euforia e, até, um certo alívio. “Finalmente” terá sido a palavra mais ouvida.

Na sala do hotel, Mário Ruivo esteve rodeado dos seus mandatários, Ana Gouveia e Ricardo Castanheira, e de dois dos seus principais “trunfos”, na campanha: Luís Antunes e Paulo Campos. Fora da sala, mas chegado mesmo a tempo de ouvir um dos primeiros e maiores elogios da noite. “Esta vitória deve-se muito a ele, que percorreu todo o distrito comigo; Joel Vasconcelos”.

Na rua Oliveira Matos, a tensão crescente não conseguia iludir a enorme desilusão, nas hostes de Victor Baptista. Numa sala, a COC – Comissão Organizadora do Congresso continuava à espera de atas finais, de todas as secções de voto. A demora, claro, tinha a ver com a decisão de recontar e verificar, voto o a voto, todo o escrutínio.

Machado sozinho

“Só lá para segunda-feira é que haverá resultados definitivos”. De repente, Victor Baptista, Reis Marques e Manuel Machado entram na sala para dar conta de que ainda não é hora de cantar vitória. De tal forma que as declarações oficiais foram atrasadas para a tarde de ontem.

Perante uma sala cheia de militantes, o mandatário distrital Manuel Machado referiu que o próximo presidente da federação distrital “deverá estar sem mácula no exercício do cargo”. Ainda mais quando foram detetadas “alterações de procedimentos não explicadas e que foram emitidas alegadamente por um departamento do partido”. “Vamos pedir a averiguação plena com totais consequências”, afirmou o mandatário. Em causa documentos comprovativos de pagamento de quotas que, na opinião de Manuel Machado, não estão em conformidade com os recibos definidos pelo próprio partido. “O PS tem uma prática virtuosa e correta de emitir recibos em formulário próprio”, disse.

Manuel Machado mostrou-se ainda agastado pelos serviços do partido em Lisboa terem enviado um comunicado para as redacções onde davam como certa a vitória de Mário Ruivo em Coimbra. “Espero que tenha havido erro no texto”, afirmou, pois “o procedimento – atas finais – ainda não está cumprido”. Na sua opinião, “nenhuma instância pode fazer essa divulgação sem conhecer todos os dados, como é o caso”. Perante isto, Machado defendeu a repetição do ato eleitoral.

Mário Ruivo, ao DIÁRIO AS BEIRAS, apelou à serenidade no partido, ao mesmo tempo que afirmava desconhecer as razões da polémica.

4 Comments

  1. Senhor victor batista seja um socialista, seja um democratico, tenha respeito por quem votou aceite a derrota que por sinal até nem foi grande porque merecia uma derrota maior saia já é tempo de mudança e os socialistas querem mudança até no governo emagine.

  2. João R. Nunes says:

    A nomenclatura do Sr. Victor Baptista não contava ser apeada e agora vai tentar arranjar todos os argumentos para se agarrarem ao poder. Deviam ter vergonha na cara e convencerem-se que os socialistas de Coimbra estão farto deles, conforme se atesta pelos resultados das diversas secções.

  3. Cada vez nos afastamos mais do verdadeiro Partido Socialista! Coitadas das "bases" ! Estão abafadas pelas lutas internas das altas esferas do PS. Até já duvido se são os militantes que vão "pôr" cruz… bem, pelo menos, poupam o dinheiro das cotas!!!

  4. Graça Batista says:

    Eu não me revejo neste Partido Socialista. Onde as pessoas são intimidadas e amedrontadas, parace que estamos a viver o dia 24 de Abril de 1974. É uma pena que em pleno seculo 21 as pessoas tenham tanto medo das represá-lias, é vergonhoso ameaçar as pessoas por causa de um voto. Os miltantes continuam a viver o medo e o terror até os mais formados. A minha pergunte é esta. Onde está a nossa Liberdade?

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