Eu deputado: Requiem pelo Metro

O Governo prevê no Orçamento a extinção da Sociedade Metro Mondego e a transferência para a REFER da concretização do Sistema de Mobilidade do Mondego. A empresa não deixa saudades: anos seguidos de existência, com uma administração de alternância típica do bloco central naturalmente remunerada mas sem obra minimamente consumada. Não é, pois, por pôr fim à Metro Mondego que esta disposição do orçamento nos deve preocupar. O sentido da coisa é outro e é claro: adiar para as calendas o projecto do metro ligeiro de superfície em Coimbra e não assumir nenhum compromisso quanto à reabilitação do ramal da Lousã. E isso é inaceitável.

Há empreitadas em execução no valor de cerca de 50 milhões de euros. Há carris levantados entre Coimbra e a Lousã. Há um canal aberto na baixa da cidade e demolições feitas e por fazer. Mas, mais que tudo, há populações que se sentem troçadas há década e meia. Adiamentos atrás de adiamentos. Sempre “temporários”, claro.

O Portugal dos PEC é isto mesmo: penalizar quem se desloca para trabalhar, adiar sine die o nunca cumprido investimento estruturante, desbaratar investimentos feitos e prometer, prometer sempre, um futuro em que tudo vai ser reposto… nos carris.

Pelo meu lado, honrarei o compromisso que assumi com os eleitores e apresentarei para inscrição em PIDDAC os montantes necessários à plena prossecução deste projeto imprescindível para Coimbra e sua região.

2 Comments

  1. António Fernandes says:

    Se, e só se, REALMENTE é necessário o Metro de Superfície em Coimbra, primeiro deveria ser construído o ramal urbano de Coimbra e depois, se houvesse recursos financeiros, partiría-se para a construção até à Lousã. Se não houvesse recursos bastaria uma estação de transbordo, como há em outros não menos desenvolvidos países do mundo. Mas assim reduz-se a possibilidade de ganhos pessoais, o que não interessa a ninguém, não é verdade?

  2. Angelo Campos says:

    Ao ler estes artigos sobre o Metro Mondego fico pasmado.
    Mas quem é que estava a fazer as obras? Era a Metro Mondego ou a Refer?
    Mas quem é que ia comparar o material circulante? Era a Metro Mondego ou a CP?
    Compreendo que os projectos imobiliários para Coimbra nos terrenos da Refer e não só, possam ter ficado para muito mais tarde.
    Mas foi o próprio Presidente da Metro Mondego que afirmou ao tempo o que já se calculava face aos números bastante empolados apresentados pelo Prof. Nunes da Silva, que a receita só cobria 15% da despesa.
    Veja-se o MST.
    Face aos estudos apresentados pelo mesmo grupo o MST devia ter uma procura de 80 mil passageiros por dia, Segundo a Administração andam presentemente 25 a 30 mil e segundo a Lusa 30 a 40 mil.

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