Por uma Ordem dos Médicos livre de interesses partidários

Iniciar uma nova era e um novo paradigma na estrutura da Ordem dos Médicos (OM) é um dos propósitos da lista liderada por Francisco Rolo, candidato à Secção Regional do Centro. É essa, pelo menos, a vontade do urologista – e da equipa que o acompanha nesse desígnio.

“A OM está sem força, sem prestígio, sem estratégias claras e com problemas que se vão perpetuando sem solução à vista. São necessárias ações urgentes porque delas depende o prestígio da medicina e o futuro da Ordem dos Médicos”, advertiu o candidato, ontem, durante a apresentação das linhas programáticas da sua candidatura.

Acompanhado pelo mandatário regional – o dermatologista Américo Figueiredo –, e pelo candidato à presidência do Conselho Distrital de Coimbra – o otorrinolaringologista Luís Filipe Silva –, Francisco Rolo garantiu que, caso venha a ser eleito, vai lutar pela promulgação urgente do diploma que estabelece os graus de desenvolvimento profissional o qual virá substituir o das antigas carreiras médicas. Uma medida que vem no seguimento de um objetivo primordial: fazer com que a OM possua meios indispensáveis para avaliar e monitorizar as necessidades de médicos e contribuir para uma planificação do ensino médico “livre das influências e interesses político partidários”.

A candidatura à Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, sob o lema “A Ordem somos Todos”, “é o culminar de um longo debate entre colegas que, desde há cerca de um ano, vêm discutindo os problemas que afetam a classe médica e que, “por inerência prejudicam o fim último da Ordem: o de prestar saúde com qualidade e, com isso, garantir a todos melhor saúde no sentido mais amplo da palavra”. A OM quer, desta forma, participar na discussão das grandes opções da tutela, como o recente exemplo da fusão dos hospitais de Coimbra ou a criação de uma Faculdade de Medicina em Aveiro.

“Defender a necessidade de uma qualificação profissional médica, para a prática de todo e qualquer ato médico; incentivar a criação de um Sistema de Notificação de Erro em Medicina ou assegurar que a atualização e valorização profissional sejam incluídas nas condições contratuais dos médicos são alguns dos objetivos (entre 10) que a lista se propõe alcançar nos próximos três anos, caso vença as eleições.

Integram ainda a lista Joaquim Murta (presidente da mesa da assembleia), Nascimento Costa (conselho fiscal regional) e Frederico Valido (conselho disciplinar regional). Caseiro Alves preside à mesa da assembleia distrital de Coimbra.

One Comment

  1. Cidadao europeu says:

    "A OM está sem força, sem prestígio, sem estratégias claras e com problemas que se vão perpetuando sem solução à vista. São necessárias ações urgentes porque delas depende o prestígio da medicina e o futuro da Ordem dos Médicos”.

    Eu posso dar algumas dicas em como chegar a um bom nivel de prestigio, incluindo prestigio e reconhecimento internacional. Faculdades de medicina portugueses nem se encontram na maioria dos rankings mundiais, quanto aos ranking europeus encontramos nos abaixo dos 200. Estes rankings baseam se na qualidade de ensino, no nivel de investigacao e publicacoes e muitos outros aspectos que fazem uma boa universidade.

    Portugal e o unico, para alem da frança, que ainda usa o metodo frances de ensino, incluindo usar a terminologia medica em frances, enquanto no resto do mundo usa-se a terminologia medica em latin. A razao dada pelo ensino e uso da terminologia em latin é a universalizacao do ensino medico, é facilitar a interaccao e cooperacao internacional em pesquisas internacionais, tratamentos e procedimentos medicos constituidos por equipas multinacionais, etc.

    Outro gravissimo erro ao nivel do ensino medico portugues é a falta de ensino pratico, ou quando existe é excessivamente tarde durante o curso.
    Em diversos paises à seculos passados tinha-se de comprar cadaveres a ladrões de túmulos pois era a unica forma de ensinar aos alunos de medicina sobre o corpo humano. Hoje em dia qualquer universidade com um programa medico decente possui um curso completo de dissecacao humana para os seus estudantes. O que em Portugal nao existe…anatomia é ensinada puramente apartir de livros, o que é uma vergonha.

    Em portugal para conseguir ser aceite em medicina sao necessarias notas, muito boas notas, e nao existe nada de mal nesse aspecto, mas notas nao devem ser o unico pre-requesito para entrar em medicina. Muitos alunos que possoem boas notas costumam candidatar-se a medicina porque as tem. Consequentemente temos uma percentagem de estudantes que estao em medicina porque tem boas notas e nao por terem uma especie de chamamento pela profissao.
    Para distinguir esses alunos dos que verdadeiramente querem entrar, paises como a alemanha, austria, suecia, noruega possem mais uns quantos pre-requesitos, para alem das notas do secundario: 2 anos de voluntariado relacionado com a saude (ex: servir em ambulancias, ou trabalhar em hospitais), extensas entrevistas para determinar o caracter do estudante, tudo para fazer uma seleccao, pois entre um aluno com elevadissimas notas do secundario mas fraca determinacao para estudar medicina nunca ultrapassa um aluno com notas medias mas com extrema determinacao de ser medico.
    Em portugal existem muitos estudantes medicos com medias do secundario muito altas mas com fraca determinacao para estudar medicina, resultando num alto nivel de chumbos e cadeiras atrazadas, mas como lhes é possibilitado anos e anos a procrastinar tomando o lugar de estudantes mais merecedores. Acredito que a actual politica de "quantidade sob qualidade" deve ser eliminada, alunos que chumbam 2 anos seguidos a uma cadeira deveriam ser expulsos do curso de medicina em Portugal.

    A OM ao continuamente recusar-se a mudar a sua visao conservadora e elitista (o que seria de esperar dos muitos representantes da OM que possoem diplomas daqueles anos "gloriosos" pos- 25 de abril quando eram entregues como bomboms e cravos).
    é verdade que Portugal possui um numero reduzido de medicos, mas o que Portugal possui ainda menos é uma muito pobre gestao dos recursos e pessoal de saude em geral, o que duplica (talvez mais do que isso) a necessidade de medicos e enfermeiros, pelo pais.

    Acabo com um conselho para a OM, abram um curso em ingles em simultaneo com o curso em portugues, pois nos dias de hoje, com a crise economica e a fraca reputacao das faculdades medicas portuguesas so tem a beneficiar o pais (pois é isso que é importante). Se tem duvidas de como abrir um programa medico em ingles, perguntem a muitos dos paises do leste da europa que possuem esses programas.

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