Por Mário Ruivo

Coimbra é teimosamente catalogada como “parada no tempo”. De facto, tem perdido influência, prestígio e capacidade para defender os seus interesses, mas parece-me que está como a selecção nacional: o todo representa bem menos do que a soma das partes. Todos temos responsabilidade, mas a de quem exerce funções políticas é maior.

Num momento em que o actual presidente da distrital do PS se recandidata, contra a promessa de há dois anos, acredito que uma liderança diferente será mais apropriada para relançar a imagem e a influência de Coimbra no País.

Desde logo, pela afirmação da distrital, procurando que a melhor votação do PS volte a ser em Coimbra, como aconteceu em todas as eleições legislativas entre 1979 e 1991. Em 2009, Coimbra foi apenas a 6ª melhor votação distrital do PS. Por outro lado, o relacionamento, a capacidade de reivindicação e de influência da distrital em Lisboa deterioram-se notoriamente e urge requalificar a relação com os órgãos nacionais.

Não acredito em eleições legislativas a breve prazo. Porém, se ocorrerem, o PS tem muito bons recursos humanos, repartidos por ambas as candidaturas, pelo que estas não se distinguem pela capacidade de fazer campanhas, exercício colectivo por definição. De resto, nem posso imaginar que os vencedores prescindam do contributo de pessoas que exercem ou exerceram funções no Governo, na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, nas autarquias, nos órgãos do PS e em todos os domínios profissionais. Esta foi, também, uma das lições de Fausto Correia: em campanha, não se pode dispensar ninguém.

Respeito o actual presidente da distrital e, embora divergindo bastante, nunca alinhei com atitudes de antagonismo nos dias seguintes às suas eleições. Por mim, quem ganha governa e deve ter a oportunidade de desenvolver o seu projecto, submetendo-se, no momento próprio, à avaliação crítica dos pares e eleitores. Esse momento chegou.

Não é razoável defender a continuidade do actual presidente em nome de qualquer dúvida sobre o estilo, o discurso e a acção política, ou na expectativa de mudança. Se for reeleito, quer encabeçar a próxima lista de deputados e fará o que tem feito, para não defraudar o seu eleitorado. Afinal, uma reeleição é uma avaliação positiva e um mandato para continuar. Quem gosta, deve votar na continuidade. Quem não aprecia, deve votar numa alternativa. Que existe.

Mário Ruivo teve a coragem de se candidatar e tem características que me agradam particularmente:

É um profissional competente: num período difícil, não se conhecem críticas fortes à sua acção na Segurança Social.

 Fez as suas “armas” políticas na grande escola que foi a AAC. O envolvimento no “projecto C” ensinou-nos a travar, com elevação, combates exigentes com os opositores e a conquistar por 6 vezes, em 7 anos, a confiança dos eleitores, moldando o nosso carácter político, assente em valores como o primado da reflexão e do diálogo para a acção sensata e eficaz, a camaradagem e a lealdade. Não é por acaso que uma grande parte dos membros do projecto C, muitos dos quais com a independência que a realização pessoal e profissional confere, apoiam Mário Ruivo.

Por último, Mário Ruivo quer trabalhar em equipa, o que prenuncia uma mudança do estilo vigente. E este é, talvez, o principal argumento para o apoiar: precisamos de responsáveis que ouçam mais os militantes, que os respeitem e que saibam aproveitar tudo o que podem dar, para que a voz do PS volte a ser popular em Coimbra e respeitada em Lisboa.

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