Negócios

Nestes tempos de crise global são impostos aos povos sacrifícios enormes para que o capitalismo tal como o conhecemos possa continuar. Vivemos tempos difíceis que nos amedrontam. Contudo, não sabemos quais foram as razões que levaram os governos em uníssono a encetar uma política com graves repercussões no aparelho produtivo, nas classes mais desfavorecidas e nas regiões mais deprimidas.

Todos intuímos que há aqui negócios onde uns são favorecidos e outros são obrigados a suportar os custos das alterações nas estruturas económicas, financeiras e sociais. Pouco sabemos do que se passou nos meandros do poder comunitário. Contudo, este dar e baralhar de jogo é antigo pois em Agosto de 1816, um leitor escrevia ao Investigador Português, um jornal publicado em Inglaterra e a que poucos tinham acesso, afirmando: “Dizem-me que esta sociedade, além do interesse que fez a Fazenda Real, projecta estabelecer em Coimbra um colégio para 20 alunos, e creio mais algum outro estabelecimento de utilidade pública, de que eu ainda não estou exactamente informado; o que sinto por não os poder já instruir completamente sobre este assunto.” Evidenciava assim uma situação que se repete quotidianamente nos nossos tempos e de que não temos notícia tão clara como esta. Aqui temos por parte de um investidor uma pequena contrapartida expressa na construção de um pequeno colégio e alguma coisa mais.

Infelizmente, agora somos confrontados com imposições governamentais em que não nos é dada hipótese de negociação. Manipulados pela comunicação social, demasiados conformam-se e destes bastantes tentam e, muitas vezes, conseguem desanimar os outros para que não resistam e aceitem a degradação das suas condições de vida, arrastando com ela a desertificação e o abandono dos campos e das cidades, em particular de fábricas e estabelecimentos comerciais. São estes inviabilizados pelas grandes superfícies que deram minúsculas compensações para que deixassem implantar os seus negócios. Muitas vezes, como aconteceu com o negócio dos submarinos, as promessas de contrapartidas são rapidamente esquecidas por quem devia exigir o seu cumprimento. E para que ninguém se aleije, deixámos já de ouvir falar de tal coisa.

Vivemos assim amedrontados por ameaças de castigos por crimes que não cometemos. De facto, quem tem vindo a ter decréscimos de rendimento, trabalhadores e pequenos empresários, não pode ser culpado de despesismo. Mas, o governo não se cansa de os acusar. Entretanto, os crocodilos da finança vão-se esquivando a impostos e, à porta de alguns bancos em crise permanente, aglomeram-se clientes a pedir o reembolso dos seus depósitos. Mostram que nada valeram os sacrifícios dos portugueses para salvar a banca. Evidenciam que só com limpeza do pus e cauterização das feridas se pode construir uma economia saudável. Lembremo-lo ao Governo.

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