Miúdos à parte das confusões dos graúdos

Vestem ambos de negro (ou branco, em alternativa) com o lozango ao peito. São miúdos… têm entre 11 e 13 anos e alguns até jogaram juntos (no OAF).

Pouco importa o debate de “a minha Académica é melhor do que a tua” e, para eles – aqueles que (se espera) serão os verdadeiros intervenientes da partida de amanhã –, é apenas um jogo especial, porque vão reencontrar amigos dentro de campo.

Fora das “quatro linhas”, esta não é apenas mais uma semana… mais um jogo. Coimbra tem destas coisas. Amanhã, pelas 11H00, frente a frente estarão a Secção de Futebol (SF) e o Organismo Autónomo de Futebol (OAF) da Associação Académica de Coimbra. Duas “equipas” com o mesmo cordão umbilical, gémeas até em alguns aspetos, mas separadas à nascença por razões que, aos miúdos, pouco interessam e que poucos deles saberão.

Mais confusão pode fazer a quem não é, nem passou, pela Universidade de Coimbra e só estranha por ver, no mesmo calendário, duas equipas com símbolo igual.

O OAF é o herdeiro do Clube Académico de Coimbra (CAC), que surgiu em 1974, pondo um ponto final na única secção com atletas profissionais na academia. No entanto, há outros que dizem que a verdadeira Académica dos estudantes é a Secção de Futebol, reativada em 1977. Posto este parágrafo, porque nem todos saberão as diferenças, vamos ao caso deste fim-de-semana.

Não é a primeira vez que OAF e SF se defrontam. Ainda no ano passado estes jogadores que amanhã entram em campo estiveram frente-a-frente. No caso do OAF, ganhavam ritmo na “distrital” e, no da SF, apuravam-se para os campeonatos nacionais. Saldo: uma vitória para cada lado. Na Academia Dolce Vita, os locais venceram por 4-2. No Estádio Universitário, a SF ganhou por 1-0.

Mas há ainda os confrontos entre as equipas de infantis e escolas, também na última época.

Primeiro frente-a-frente

foi nos anos 80

Se recuarmos mais umas décadas, encontramos três confrontos entre os seniores da SF e OAF, a contar para a Taça das Reservas, competição organizada pela Associação de Futebol de Coimbra.

No primeiro embate, a 8 de dezembro de 1982, o OAF (na altura ainda CAC) venceu por 7-2. Curioso, o facto de, do lado dos vencedores estar Luís Freixo, que amanhã vai estar no “banco” da SF. A SF desistiu da competição nessa época e o segundo jogo não se realizou. Voltaram a encontrar-se em 1988/1989. A 17 de novembro, venceu a SF (2-1) e, na 2.ª volta, o OAF, por 8-1.

Voltando ainda a Luís Freixo, um dos intervenientes de amanhã, agora treinador e ex-jogador, na altura em que Mário Wilson se sentava no “banco” da Académica, há uma história pessoal marcante. O apelido não engana. Luís Freixo é filho do “Senhor Freixo”, antigo funcionário da Associação Académica de Coimbra, responsável, durante décadas, pelo Campo de Santa Cruz… onde vivia. O treinador admite ao DIÁRIO AS BEIRAS que jogar no Santa Cruz tinha um significado especial… sem conseguir disfarçar um brilhozinho nos olhos. Mas, ironicamente, aquela que foi a “casa” da Académica, hoje nem pode receber jogos oficiais…

Brasfemes/Souselas

O jogo de amanhã tem lugar pelas 11H00, em Brasfemes, uma freguesia ladeada pela de Souselas… curiosamente, o campo que serve de “casa” aos iniciados do OAF.

Do centro de Coimbra a qualquer um destes destinos não vão mais que 10 ou 15 minutos de carro.

Cerca de 10 quilómetros para um, ou outro campo. E, apesar de, nos jogos de “casa”, por vezes estarem mais adeptos do clube visitante do que da equipa da casa, pelo menos, este domingo, os cachecóis têm o mesmo símbolo e os gritos de apoio entoarão “com toda a cagança e com toda a pujança”, em uníssono: “Acadé-mi-ca!”.

Agora, resta esperar que os adeptos, pais, amigos e treinadores de bancada… os graúdos… se saibam colocar no seu lugar e não estraguem a festa aos miúdos. Só para que conste, quem joga em casa é a Académica… Assim mesmo… só Académica. Sem SF, nem OAF, apenas e só Briosa.

One Comment

  1. Muito bom!

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