Manifesto de uma Cidade

O país está doente, desmotivado, desnorteado, descrente, sem rumo…

Não há que apontar individualmente responsáveis. A responsabilidade é de todos embora em grau variável, pois todos pactuaram ou se calaram… silenciados pelo medo… assustados pelas represálias ou conveniências!

Em causa não estão questões políticas, nem partidos, nem o comportamento desses partidos. O que está em causa é a identidade Nacional.

Os jovens não estão preparados para as dificuldades dos tempos que passam e em que se incluem a flexibilidade dos empregos e trabalho, não ousam, não lutam, acomodam-se à situação e amarguram-se com a sua situação. Os pais são muito responsáveis por esta irresponsabilidade e apatia dos filhos. Em vez de incentivarem à prática de qualquer trabalho, os pais consideram uma desonra um estatuto diferente do estatuto que eles próprios já adquiriram.

Privam-se de tudo para que os filhos aparentem estatuto que não possuem. Tanta protecção torna-os receosos – de envergonharem os pais, de constituírem família, de nunca virem a ser verdadeiramente independentes… de ousarem…

Os velhos sentem-se marginalizados pelos familiares mais jovens, que os rodeiam, pelos amigos que os circundam, pelo ambiente hostil que pressentem, pelo receio de perderem o que amealharam, em que se incluem as reformas, a saúde, o convívio… pelo receio de perderem a identidade e a possibilidade de transmitirem o conhecimento herdado e adquirido durante a sua vivência!

Os empregos não há nem esperança de os arranjar. Os avós –já não são só os pais – arrastam-se pelas repartições do Estado, mendigam, sujeitando-se a mesuras e vexames a que nunca antes pensaram sujeitar-se e juntam o desespero dos pais e netos ao seu próprio desespero.

E quem não pode atender o pedido tem desespero acrescido por não poder atender a pedidos a que bem gostaria de atender… Um inferno para todas as partes… um desassossego continuado.

O ensino é a chave do todo o progresso. O ensino, neste momento, está degradado e inadequado aos momentos presentes. As instituições não têm nenhum plano estratégico, o mesmo é dizer que é também carência do Estado, dado que cada Ministro quer fazer a sua reforma sem que tenha sido avaliada convenientemente a experiência passada e posta em confronto por comissões idóneas, o que se pretende fazer com o que estava a ser feito. Méritos e deméritos. Benefícios.

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