Escola pública

Foi seguramente um dos mais importantes valores republicanos.

Desde logo, pela bondade da promessa em si mesma: educar para tornar todos os cidadãos mais iguais e lhes dar instrumentos de participação activa na vida pública. Uma promessa muito actual, devemos reconhecê-lo. Mas também pela sua concretização na 1.ª República, com 1000 escolas criadas no primeiro ano, tantas como nos 10 anos anteriores, as escolas da República, ainda hoje existentes por aí, onde muitos de nós aprendemos a ler e prestámos provas no fim da instrução primária.

Lembrar esses ideais republicanos com escolas novas, feitas à medida do século XXI, foi seguramente um dos melhores presentes que a 3.ª República pôde oferecer à 1.ª no dia em que esta fez 100 anos.

Os novos centros escolares são escolas para as novas gerações de cidadãos portugueses: a tempo inteiro, com biblioteca, refeitório, salas com equipamentos informáticos e com uma dimensão que permite o desenvolvimento de actividades extra-curriculares, como a educação física, o ensino da música ou do inglês.

Foi a abertura destas escolas que permitiu o encerramento, desde 2006, de cerca de 3.200 escolas de dimensão reduzida, com taxas de insucesso superiores à média nacional e sem as condições e os recursos necessários para a educação do século XXI.

Como sempre há quem diga, com razão, que não basta a escola, os equipamentos, as condições de trabalho de alunos, professores e funcionários. É preciso muito mais. Pode até ser verdade.

Mas não tenho quaisquer dúvidas que é bem melhor ensinar e aprender em escolas como a que visitei em Brejos de Azeitão, popularmente já chamada de Universidade de Brejos, com o seu pequeno auditório e grupo de animação, onde funcionários, alunos e professores ensaiam e actuam lado a lado; ou em escolas renovadas, como a Luísa Todi em Setúbal, que esperava obras há 33 anos, e onde, quando chovia, só entrava quem soubesse nadar. Só nos resta aproveitar bem este esforço e este investimento que resultam da cooperação entre o Governo e as autarquias. Afinal um esforço de todos nós.

One Comment

  1. Mónica Martins says:

    Pois é, é bem verdade!… Se fosse totalmente fiel à história. Nem a escola de Brejos tem funcionários (apenas 4 auxiliares para 375 alunos), nem tem professores suficientes (o professor de inglês já se foi)… Afinal acho que há uns que se esforçam mais do que outros…

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*