Bem unidos façamos

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O som, roufenho e sibilante, da Internacional, a fechar o congresso, diz bem do tempo de mudança no PS/Coimbra: a surpresa espalhou-se pela sala, só meia dúzia de militantes – sobretudo mulheres – ousaram cantar e, no final, vingou uma inesperada unanimidade… nas palmas ao hino improvável e à despedida de uma maratona socialista, que se vinha prolongando desde há bem mais de um mês.

O congresso, sábado, entronizou finalmente o novo presidente da Federação Distrital, Mário Ruivo. E elegeu, também, os novos órgãos. O mais importante, a Comissão Política de Federação, é uma combinação de unidade, com 36 membros do lado dos vencedores e 35 dos vencidos. A estes, com direito a voto, acrescerão uma dúzia de inerências, entre autarcas, líderes concelhios e jovens socialistas.

Numa primeira leitura, parece tratar-se de uma vitória de Victor Baptista. Afinal, depois das denúncias de alegadas irregularidades, passa-se agora uma imagem de aceitação pacífica dos resultados, acompanhada de uma mensagem de unidade. E, entretanto, aposta-se no jogo das inerências – militantes que sempre estiveram do seu lado – para garantir continuar “em jogo”.

Com mais cuidado, percebe-se que não é bem assim. Desde logo, porque foi Mário Ruivo a procurar o consenso e a convidar Victor Baptista. Depois, porque os “benefícios” da unidade “beneficiam” os dois lados. Finalmente, porque Ruivo garantiu todo o Secretariado, ao contrário do que sucedeu há quase 20 anos, quando Luís Marinho perdeu o congresso por um voto e impôs ao vencedor, Fausto Correia, um órgão executivo “partido ao meio”. Entretanto, há de vir aí a inércia natural destas coisas da política, que faz com que vingue, a prazo, a força centrípeta de quem tem o poder. Um movimento dinâmico que há de, também, contagiar autarcas, deputados e líderes concelhios – curiosamente todos eles “afastados” do elenco da comissão política.

Dito isto, sobra uma dúvida: vai Victor Baptista desistir da ação, que anunciou ter interposto junto do Tribunal Constitucional, recorrendo da decisão da Comissão Nacional de Jurisdição? O pedido, explícito, foi feito por Mário Ruivo, naquela que terá sido a passagem mais significativa do seu discurso, no encerramento do congresso. A resposta, para já, é negativa. “É uma questão de princípio e de democraticidade interna do PS” e não “uma negociação” que está em causa, afirmou Victor Baptista , à agência Lusa, acrescentando que a jurisdição nacional “não se preocupou com a substância, nem com a razão, mas apenas com meras formalidades”.

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