A(s) República(s)do Teatrão é imperdível

Até 7 de Novembro, na Oficina Municipal de Teatro, o Teatrão apresenta a sua participação nas comemorações republicanas, com a peça inédita e elaborada, especificamente, para a efeméride, intitulada “República(s)”.

Convidado pela companhia conimbricense, presenciámos, na estreia, o “saudável” espectáculo, cuja dramaturgia é da autoria de Jorge Louraço Figueira e a encenação de Marco António Rodrigues. O elenco de actores no total de onze, bem como os indispensáveis profissionais nas diversas áreas de assistência, desde a técnica e visual ao figurino, vídeo, produção e direcção, entre outras, produzem um trabalho de mérito que colhe a satisfação dos espectadores. Aliás, sugerimos com convicção, que os leitores deste jornal e aqueles que gostam menos ou não apreciam tanto a arte de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes, Molière, Brecht, Gil Vicente, Sá de Miranda, Garrett, Régio, Bernardo Santareno, mesmo Torga e outros extraordinários dramaturgos, devem partilhar este momento de inquestionável criatividade e acção. Os académicos, em especial, são convidados a usufruir este tema que faz parte da nossa história e da sua vida estudantil. Há em todo o desenrolar da peça um contexto de valores e de princípios que incarnam um século de vivências e de transformações, percorrido num ambiente desinibido, sério e fantasioso, irónico e democrático, crítico e hilariante.

Durante uma hora e meia percorremos um ciclo alusivo ao centenário, que comunga dos centenários da(s) “República(s), a República dentro das Repúblicas, num cenário de argumentos, de exercícios de diversão, de sátira que voga em articulação com as ideias, onde a improvisação, mesmo o conjunto de conteúdos, se concentram numa panóplia de fantasias, de alegorias, de esperanças e de incertezas, de lutas e de saudosismo, em que não faltam a indignação e o (des)governo. Potenciam-se discussões, estabelecem-se unanimidades e fecunda-se o diálogo, ora calmo ora acalorado, na linha da vivacidade democrática que apaixona os “republicanos”.

Associando com mestria o centenário da República aos centenários anuais das Repúblicas, compreendemos o contexto político/social/cultural/académico que se derrama nas instituições e na (des)harmonia actual. Aliás, o prólogo da peça integra o espectador na vivência das repúblicas académicas, desnudando o seu “modus vivendi”, evidenciado na crítica, na caricatura, no glosar o factual, no argumento e na mística que contagia e transforma, que ensina e estimula a pluralidade de ideários, num ambiente de democracia e de amizade que fortalece os laços na família dos repúblicos.

Nos assistentes perpassam espaços temporais de silêncio e expectativa, acompanhados de explosões anti-stresse que arrasam o silêncio. Há uma cumplicidade entre o palco e a plateia que eleva a encenação. No contexto dialogante não faltam o amor e o ciúme, o sonho e a improvisação, a poesia e a música, balizando uma bem urdida teia de quadros intencionais e ou provocadores. O informalismo mostra-se, também, na irreverência estudantil quando os repúblicos planeiam e executam o estratagema para “ludribiar” as entidades oficiais de visita a Coimbra, para comemorar o centenário da República e assim conseguem o indispensável subsídio para festejar o seu e não o centenário republicano. Não faltam a “rotunda” , a estátua e o símbolo a colocar.

Aconselhamos uma ida ao Teatrão para comemorar a “República(s)”.

One Comment

  1. José Alberto says:

    Gostava que exemplifica-se e não se ficasse por lugares-comuns.
    Acaso já entrou numa Republica?
    Acaso as Repúblicas usam fazer peditórios para conseguirem verba para o Centenário?
    Acaso as Repúblicas são casas onde se cultiva o humor foleiro que atravessa a peça?
    Acaso as suas empregadas domésticas (mesmo quando eram ex-prostitutas) faziam sexo com os Repúblicos?
    Acaso a República (5 de Outubro) aconteceu por acaso?
    Acaso a República (5 de Outubro) foi obra de vendidos, cobardes, oportunistas ou traidores?
    Acaso a República (sistema político) se confunde com um governo (actual ou não)?
    Acaso o Camões é confundível com um cantor de protesto?
    Acaso Saramago vai ficar (do ponto de vista político) para a História, como um Republicano?
    Acaso é preciso ter um curso de teatro para ver a peça?
    Acaso é preciso ser estudante de Coimbra para levemente a entender?
    Acaso a peça seria representável em Aveiro, Leiria, Santarém. Porto, Lisboa, Braga, Évora, Viana do Castelo ou Faro?
    Acaso dramaturgo e encenador não serão uns pedantões que andam por aí armados em intelectuais e não o são?
    Acaso não será mais honesto dizer que a peça (texto e encenação) não vale um a caracol?

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