Agressores dentro de quatro paredes já pedem ajuda

São agressores que ainda não ultrapassaram o limite: o da agressão física. Homens que vivem num clima de tensão e que começam a ter ideia do seu próprio descontrolo.

São ainda uma minoria, mas, no último ano, foram eles que, por iniciativa própria, pediram ajuda ao Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra (CHPC).

De acordo com João Redondo, coordenador daquela unidade que funciona no Sobral Cid, este “é um primeiro sinal de que pode vir a ocorrer uma situação de violência. E, mais do que fazer a sinalização da vítima, é importante fazer o “screening” do agressor”. A esses homens – acrescentou o responsável –, “é necessário mostrar-lhes que é possível encontrar algum sentido para a vida”.

Porque “quando falamos de violência doméstica/familiar, falamos de significações e de relações, de contextos onde há agressores, e vítimas”, que a curto e a longo prazo, serão ambos vítimas inevitáveis de repercussões, no seu bem-estar, com todas as consequências que lhes são inerentes.

João Redondo falava aos jornalistas à margem de um encontro do Projeto de Intervenção em Rede (PIR) sensibiliza para a violência doméstica, um projeto que visa implementar uma rede de cuidados na área geográfica de influência da ARS Centro. O PIR resulta de uma parceria da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) com o CHPC e a Administração Regional de Saúde do Centro.

Trata-se de um projeto pioneiro, com uma duração de 36 meses (Maio 2009 a Abril 2012), que envolverá técnicos de diversas áreas, intervenientes em diferentes momentos do processo de sinalização, avaliação e encaminhamento/ajuda aos vários “atores” (vítimas e agressores) associados a situações de violência doméstica. Entre outros profissionais, integra técnicos das áreas dos cuidados de saúde primários, dos serviços de urgência (HUC e CHC), das maternidades, bem como da psiquiatria e saúde mental. Estes profissionais estão estrategicamente posicionados para diagnosticar, intervir e encaminhar mais precocemente os casos de violência.

Na sessão de ontem, Sara Falcão Casaca, presidente da CIG, afirmou que a sociedade portuguesa tem vindo a trabalhar mais em rede contra a violência doméstica.”Os passos que possamos desenvolver sozinhos serão sempre passos muito tímidos”. Por isso – lembrou –, “um melhor futuro só se constrói de mãos dadas e com convicções firmes. Preparamo-lo todos os dias”.

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