A Revolução Republicana na Imprensa Local

Ao longo deste ano, muito se escreveu e se falou sobre os vários aspectos da 1.ª República, cujas comemorações tiveram o seu zénite a 5 de Outubro.

O que se passou no país entre 1910 e 1926, leva-nos a reflectir nomeadamente sobre os valores republicanos e a ética do serviço público, e ao mesmo tempo tirar as devidas lições dos aspectos positivos e dos aspectos negativos para a construção do devir histórico.

Hoje, somos herdeiros de um legado cujas sementes em germinação permanente desde 1910, tornaram possível que em Abril de 1974 se consagrasse em Portugal um regime verdadeiramente democrático.

Como fizeram eco da Revolução Republicana a então imprensa Egitaniense, em particular os jornais “A Guarda” e o “Combate”, os mais expressivos do ponto de vista religioso e político?

“O Combate” na 1.ª página destacava: “Viva a República Portuguesa”! “Enfim! Redimida, Gloriosa, Victoriosa! A Pátria a caminho do futuro” – “Viva o Povo Portuguez”. “Salvé o 5 de Outubro de 1910”

Este jornal foi fundado por José Augusto de Castro um republicano intrépido, que na Guarda “Cidade da Saúde”, procurou lenitivo para a doença que o atingiu, a tuberculose, pois o ar puríssimo da altitude era indispensável para a cura.

“O Combate” era apoiado por alguns industriais e comerciantes da cidade como Francisco Balsemão, José de Lemos e Virgílio Balha e Melo cujo lema jornalístico, “Pela Justiça, Pela Verdade, Pela Equidade” era inspirado decerto na trilogia da Revolução Francesa Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

José Augusto de Castro fez deste jornal um meio de divulgação das ideias republicanas e em particular uma arma de combate contra uma personalidade eclesiástica incontornável, o Bispo da Diocese D. Manuel Vieira de Matos, e também ali criticou de uma forma violenta a religião católica, os jesuítas e a monarquia.

Pelo contrário o jornal “A Guarda” era uma publicação de cariz marcadamente religioso, sempre em defesa dos princípios católicos, face aos inúmeros ataques que a Igreja Católica sofreu, principalmente devido à publicação da Lei da Separação da Igreja do Estado, de Afonso Costa, entrando com frequência em polémica jornalística com “O Combate”.

Vejamos como “A Guarda” noticiou a proclamação da República em 1910 “A revolução em Lisboa: Recontros sangrentos” “Bombas revolucionárias e soldados infiéis – Incêndios e morticínios” “Perdas importantíssimas na Capital …”

D. Manuel Vieira de Matos fez a sua entrada solene nesta Diocese a 4 de Junho de 1903, e nos anos conturbados da jovem república fez da Cidade e do Jornal “A Guarda” um baluarte de resistência intransigente da doutrina e dos valores da Igreja Católica.

Estes e outros periódicos da 1.ª República estarão patentes, em exposição na Galeria de Arte do Paço da Cultura, entre 5 de Outubro e 30 de Novembro, numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal e Governo Civil da Guarda com o intuito de, ao comemorar o 5 de Outubro de 1910, contribuirmos para de uma forma desapaixonada e reflexiva, ao escutarmos o passado possamos, olhar o presente para melhor perspectivarmos o futuro.

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