Trabalho em “rede” potencia Património Mundial de Origem Portuguesa

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O património é elemento fundamental para o desenvolvimento que se pretende cada vez mais sustentável de muitas regiões do mundo. Mas o património permite igualmente o estabelecimento de relações privilegiadas e de parcerias muitas vezes melhor sucedidas que aquelas da própria diplomacia política. Isso mesmo resulta do segundo encontro internacional Património Mundial de Origem Portuguesa, a decorrer até amanhã em Coimbra.

Iniciativa da Universidade de Coimbra em conjunto com a Comissão Nacional da UNESCO, o Ministério da Cultura, a Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios (ICOMOS) e Turismo de Portugal, a II Reunião Internacional World Heritage of Portuguese Origin (WHPO), o encontro traz pela segunda vez a Coimbra um número muito significativo de delegados dos países com património de origem portuguesa, desta vez um total de 23, de Angola a Timor Leste, passando por destinos como Benin, Etiópia, Gâmbia, Paraguai, Sri Lanka ou Tanzânia.

Para Fernando Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra, que ontem participou na sessão de abertura, a criação da Rede WHPO “é o ponto fulcral deste segundo encontro e é também o que vai permitir avançar no trabalho de terreno, consolidando-o de uma forma organizacional própria, promovendo no dia-a-dia o desenvolvimento das conclusões e das orientações que as reuniões periódicas vão produzindo”.

Ainda de acordo com o responsável, a rede que amanhã será oficializada em protocolo, “implica passar do pensamento à prática, à preocupação diária, mantendo uma estrutura que atua diariamente e que começa a realizar projetos de cooperação efetiva, dando sequência às orientações que o primeiro encontro desenhou”.

Agenda de diplomacia

cultural autónoma

Projeto de “grande envergadura e interesse a nível internacional”, a iniciativa permite “a consolidação numa rede de património mundial de origem portuguesa de todos os bens, materiais e imateriais, que possam ter resultado da interação da presença dos portugueses no mundo com as culturas locais e os povos que foram encontrando”.

Pronunciando-se sobre a oportunidade e importância da iniciativa, Seabra Santos destacou uma realidade cada vez mais presente: “a universidade – com a Universidade de Coimbra a integrar esse grupo – tem hoje capacidade para manter uma agenda de diplomacia cultural autónoma que, muitas vezes, consegue resultados que a diplomacia política não consegue”. Em Coimbra, “com esta iniciativa, a universidade põe essa capacidade ao serviço do interesse da cidade e do país”, destacou o responsável.

A intervir igualmente na sessão de abertura do encontro internacional, ontem, Gonçalo Couceiro, do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), destacou a importância de abordagens ao património como aquela que se equaciona na Rede WHPO, sobretudo porque ela permitirá uma abordagem global que integre o património “urbanístico, militar, linguístico, gastronómico e cultural”. Isto porque, como afirmou, “não deve separar-se o património edificado de todo o restante”.

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