TGV ou não

As grandes obras públicas estão claramente influenciadas pelas opções sobre a instalação ou não do TGV.

Tem sido amplamente debatida com opiniões divergentes, a decisão de avançar ou não com tal infraestrutura, nomeadamente a questão dos seus custos face à actual situação económica do país.

Por outro lado suscita-se o interesse em aumentar a despesa pública como forma de alavancar a economia, considerando os conceitos da História Económica.

Neste drama de indefinição, apercebemo-nos de que poderá haver uma importância acrescida e que tem a ver com o eventual isolamento de Portugal na sua relação com a Europa, o que pode levar à criação de um paradoxo.

Parece-nos que será precisamente pelas dificuldades económicas do país, que o TGV irá avançar, como forma de evitar o retrocesso da integração europeia.

Estranho, não é?

Expliquemos então, o que poderá levar à decisão de se implementar tal infraestrutura.

É conhecido que as bitolas da rede ferroviária de Portugal e Espanha, ou seja a distância entre carris, divergem do resto da Europa, levando a que os passageiros e as mercadorias para além destes países, tenham que efectuar transbordo na fronteira de França. Ora o Governo espanhol tomou a decisão de investir na renovação da sua rede ferroviária, situação que Portugal não pode imitar, devido às suas dificuldades económicas.

Sendo assim, como fazer para manter a ligação à rede europeia?

Será que passaremos a fazer transbordo nas fronteiras portuguesas, criando uma potencial situação de isolamento?

Parece-nos que a única forma de garantir essa ligação à rede europeia será com a construção do TGV, com os apoios comunitários que se encontram cativos, que a não serem aproveitados, dificilmente serão reinvestidos em Portugal.

A linha Vigo, Porto, Lisboa, Poceirão, Caia permitirá a continuidade para toda a Europa, resolvendo o problema em aberto e ver-se-á se vingar esta perspectiva, se não iremos ter no futuro também o transporte de mercadorias via TGV.

A oportunidade é evidente para a nossa região.

Fará seguramente a diferença. Leiria a 30 minutos de Lisboa ou a 50 minutos do Porto, via TGV, com a forte diminuição da probabilidade de acidente automóvel, para quem o utiliza, e aliviando o stress gerado pelas filas, combinado com um preço acessível, vai levar certamente a uma opção bem clara e acima de tudo confortável.

Uma aposta de risco, que apesar de paradoxal, levará à decisão da construção do TGV.

6 Comments

  1. Com o devido respeito, a sistemática confusão entre infra-estrutura (caminho-de-ferro) e material circulante (comboio), tem levado a que toda esta discussão não faça sentido. Sou totalmente contra o TGV, mas totalmente a favor da construção de novas linhas de bitola europeia. A Alta Velocidade não me preocupa minimante. O que me preocupa é a interoperabilidade da nossa ferrovia com a ferrovia europeia. E não só para que possamos exportar a custo mais baixo, MAS TAMBÉM para que possamos importar a custo mais baixo (aspecto frequentemente esquecido!), dado o desequilíbrio da nossa balança comercial.

  2. (2ª parte) Recomendo aos leitores que vejam um vídeo no YouTube intitulado "TGV para nove milhões". Se quiserem ver os erros de todo este projecto vejam ainda no Youtube as 4 partes intituladas "Nova Ferrovia Portuguesa de Bitola Europeia – Debate". Mas vejam, porque vale a pena! Sobre a minha posição sobre tudo isto, Vide o meu blogue "Bravos do Pelotão", com as 3 cartas que enviei aos Srs. Deputados, ao Sr. Primeiro-Ministro, e ao Sr. Presidente da República. Ferrovia de bitola Europeia SIM, para nos ligarmos ferroviariamente à Europa e exportarmos/importarmos mercadorias de forma mais barata que por camião TIR; agora o TGV, e seu escandaloso custo, NÃO!!! Portugal deve ainda fabricar os seus próprios comboios reabrindo a extinta SOREFAME (Ver Wikipedia sobre esta empresa). (Na RAVE, secção perguntas frequentes, está escrito que o custo estimado Lisboa-Madrid é de 100 euros. Uma delícia!) Gabriel Órfão Gonçalves, jurista

  3. TGV e preço acessível são duas coisas que não podem coexistir ao mesmo tempo. Ver o seguinte vídeo no Youtube: "SNCF : Hausse du prix des billets de TGV Lille Paris". Notem que os únicos países na Europa que possuem comboios de velocidade média acima dos 250 Km/h são a Espanha, a França, e a Alemanha. Todas elas grandes potências económicas, com recursos energéticos enormes (energia nuclear, nomeadamente), e que FABRICAM OS SEUS PRÓPRIOS COMBOIOS. Se Portugal os vier a importar, é mais uma machadada na nossa economia. Devemos importar tão-só na Velocidade Elevada (até 220-250 Km/h) e não na Alta Velocidade (250-350).

  4. Correcção: "apostar", e não "importar" (na última frase do comentário anterior). Os nossos comboios deverão ser feitos cá no nosso País! Deve-se começar por projectos modestos que favoreçam a economia pátria, em vez do novo-riquismo de importar o último grito (e muitos portugueses vão gritar, mas de dor pelo estado a que vamos chegar!) da tecnologia estrangeira.

  5. Tenho acompanhado toda esta problemática do TGV. Já fiz mesmo algumas abordagens no meu blogue Limonete, sobre o assunto, reconhecendo embora que não sou especialista sobre matéria tão importante. Já vi há muito tempo os vídeos referidos no comentário anterior.__A bitola europeia pela qual devemos optar, é o nó górdio da questão senão ficaremos sempre dependentes dos espanhóis o que parece ser a intenção subserviente do actual governo por razões que só alguém conhece. Nestas circunstâncias creio que as teses de Órfão Gonçalves sobre o TGV, são as mais indicadas para o verdadeiro desenvolvimemto do País, tendo como base o fulcral, temos que convir, sector dos transportes ferroviários.

  6. Tenho acompanhado toda esta problemática do TGV. Já fiz mesmo algumas abordagens no meu blogue Limonete, sobre o assunto, reconhecendo embora que não sou especialista sobre matéria tão importante. Já vi há muito tempo os vídeos referidos no comentário anterior.
    A bitola europeia pela qual devemos optar, é o nó górdio da questão senão ficaremos sempre dependentes dos espanhóis o que parece ser a intenção do actual governo por razões que só alguém conhece.

    Nestas circunstâncias, creio que as as teses de Órfão Gonçalves sobre o TGV, são as mais indicadas para o verdadeiro desenvolvimento do País, tendo como base o fulcral, temos que convir, sector dos transportes ferroviários.

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