Quando o futebol “rouba” jovens à escola

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Na quarta-feira, vários jovens pertencentes ao escalão de juvenis, que disputam o campeonato nacional da categoria, faltaram, nalguns casos apenas durante a tarde, à escola. Em causa, estava a escolha entre faltar às primeiras aulas de início do ano ou ir disputar mais uma partida de futebol. Para os mais pequenos, futuros futebolistas, a resposta será simples: futebol. Para os mais velhos, surgirá em sentido totalmente inverso.

Apesar do ano letivo ter começado na segunda-feira, futebol e aulas cruzaram-se. Os calendários da Federação Portuguesa de Futebol assim o ditaram. Aliás, à semelhança das competições da Liga dos Campeões e Liga Europa, foram poucas as horas para descansar, dada a sucessão de jogos: domingo, quarta-feira e domingo. Até ao final da 1.ª fase do campeonato, que se iniciou a 15 de Agosto e privou muitos miúdos de férias do futebol com os pais – houve casos em que o descanso foi inferior a um mês –, há um ritmo de jogos que mais parece de verdadeiros profissionais. Mas não são. Longe disso… ainda.

Na opinião de Eduardo Monteiro, dirigente do futebol de formação da Naval, esta decisão federativa é de “nítida prepotência”, já que os calendários foram elaborados sem se ouvir os clubes. Os facto de se tratarem de jovens e não serem profissionais devia ter estado lado a lado com a elaboração do sorteio.

“Não são profissionais”

“Os jovens atletas não são profissionais”, adianta Eduardo Monteiro. Nos clubes que não dispõem de academias próprias, os futebolistas são obrigados a faltar aos compromissos dos clubes: “os pais são peremtórios na exigência de que permitem a prática desportiva aos filhos, embora os estudos estejam sempre em primeiro”, acrescenta. Enquanto dirigente, Eduardo Monteiro, fala ao DIÁRIO AS BEIRAS do que sente quando pede a um pai para que o filho falte a uma aula para competir. “Na Naval, temos pais intransigentes, mas, por outro lado, se dermos uma falta de comparência por não ter jogadores disponíveis seremos muito penalizados”, afirma. Quando os clubes não dispõem de transporte próprio e a partida se disputa durante a semana, outro problema se coloca, já que os pais não podem faltar ao trabalho para levar os filhos ao jogo, por mais próximo que ele seja. Esta elaboração dos calendários, segundo Eduardo Monteiro, pode estar relacionada com a preparação das seleções de sub-15, 16 e 17.

Sem desculpa

Já o pai António Tenente considera que estes calendários não têm desculpa.

O filho joga nos juvenis da Académica, mas António Tenente critica a decisão dos dirigentes federativos, pois, independentemente de ser no início do ano lectivo, “é sempre prejudicial”, afirma. Para os jovens que não têm aulas durante a tarde poderá não prejudicar tanto, mas defende que não se pode pensar apenas em alguns, mas sim em todos. “Não tem desculpa”, frisa.

A opinião é unânime (ver textos ao lado) e não há pais ou treinadores que concordem com as datas agendadas, mesmo que os jogos que se cruzam com a escola só aconteçam numa jornada. Seja ela no início ou fim da 1.ª fase, “não deveria acontecer nunca”, defendem.

Mas aconteceu. Resta agora saber se, no calendário da 2.ª fase, as aulas voltarão a estar cruzadas com os jogos de futebol e estes se voltem a disputar (também) durante a semana.

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