Moradores de Eira Velha resistem à demolição

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Luís Rodrigues Batista vive em Eira Velha, freguesia de Ceira, desde que nasceu, há 54 anos. O pai, octogenário, vive uns metros abaixo, Ao lado, há uma casa com perto de 200 anos. E uma outra, que António Reis Ferreira comprou em 1983. As quatro casas – mais uns anexos e uma garagem, junto à EN 17 – estão condenadas a irem abaixo, já a partir de Outubro.

Luís Batista soube da “condenação” em meados de Julho. “Estava em casa, por acaso, e vieram uns indivíduos bater-me à janela”. Eram técnicos de uma firma ligada à Mota/Engil, empresa que, como se sabe, ganhou a concessão do IC3, a futura autoestrada Tomar-Coimbra. “Disseram-me, sem mais, que ia ser expropriado”.

Em causa, como o DIÁRIO AS BEIRAS escreveu, a 15 de setembro, a decisão de alterar o traçado inicial da via rápida. Uma mudança que “transforma” o atravessamento do vale do Rio Ceira, entre a Boiça e a Tapada, num imenso viaduto, de quase 200 metros de altura. Uma “ponte” que tinha, inicialmente, uma localização mais a nascente (cerca de 100 metros) e uma cota bem mais baixa, entrando depois, em túnel, rumo às Carvalhosas. Com o novo traçado, mantém-se um nó na encosta sul e é acrescentado um “rebuçado”: uma estrada de ligação à futura ponte nova do Cabouco.

Com a alteração, as quatro casas de habitação da Eira Velha entraram no “caminho” do viaduto. E, para que não restassem dúvidas, há poucos dias, a propriedade de Luís Batista foi “adornada” com uma estaca engalanada a bandeirola vermelha – sinal de marcação de zona de obras.

Só que Luís Batista, viveirista de profissão, é um homem rijo, não obstante os problemas cardíacos que já o levaram ao hospital. Primeiro, foi ter com o presidente da Junta de Freguesia de Ceira. “Disse-me que não era nada com ele”. Depois, falou com Carlos Encarnação. “Recambiou-me para a Estradas de Portugal”. Não desistiu. Pressionou a junta e marcou reuniões na câmara. Aqui, falou “grosso” ao vice-presidente e, terça-feira passada, foi à reunião pública falar “grosso” a todo o executivo.

Luís não entende o porquê da alteração ao traçado. E entende “mal” a posição dos autarcas locais, “sobretudo do presidente da junta”. Mas vai levar a sua luta até ao fim e está disposto a lançar um abaixo-assinado.

Para hoje, entretanto, está agendada uma reunião alargada, com os moradores afetados e com todos os membros do executivo municipal de Coimbra, para análise da situação. Um encontro que conta, também, com a participação de representantes da Estradas de Portugal e da concessionária da obra.

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