Entradas de Leão – e as saídas?

Os resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior 2010 são importantes e a registar.

No ensino secundário, o aumento do número de alunos, que recuperou níveis do início da década, ajudou a fortalecer a procura no ciclo seguinte. A falta de alternativas de emprego para diplomados com o ensino secundário também estimula a procura do ensino superior. Em tempos de crise económica, acontece sempre o prolongamento da estadia na escola.

Estamos, tudo o indica e o Governo assume, numa nova fase de massificação do ensino superior. Desta feita, uma massificação protagonizada pela oferta pública ou do Estado e não pela expansão da oferta privada, como sucedeu há cerca de 20 anos. Vários artigos publicados na Higher Education Policy, revista de referência, chamam a atenção para os “desencantos” com a formação pós-Bolonha e muitos de nós, professores do ensino superior, também nos sentimos menos entusiastas e mais preocupados com algum défice formativo quando comparamos as antigas Licenciaturas com os actuais Mestrados…

Resolvido o acesso, que se estimula, o que fazer com a baixa empregabilidade das pessoas mais novas com nível superior de qualificação, como atesta a taxa actual de jovens desempregados com qualificações superiores em Portugal, que é das maiores da União Europeia e tem revelado tendência crescente? Portugal precisa de mais gente qualificada. Ninguém coloca isso em causa. Mas precisa de políticas públicas de emprego “capacitadoras” da integração de gente qualificada no sistema produtivo.

Seria fundamental que se universalizasse a possibilidade acesso a um estágio profissional remunerado aos alunos do ensino superior que se formam, por exemplo, nos cinquenta por cento de nota mais elevada do seu ano de conclusão de estudos. Que se incentivasse de forma directa as boas práticas de incubação de empresas desenvolvidas pelas Instituições de Ensino Superior (IES). E que, alguns dos meios à disposição do sistema público de emprego pudessem ser objecto de um “contrato de confiança” com as IES verdadeiramente geradoras de emprego, com transferência de verbas, de competências e com a geração de sistemas de incentivos, públicos e auditáveis, quando alcancem bons resultados em matéria de empregabilidade dos seus diplomados

Sempre que se fala num Estado social, capaz de gerar bem-estar social, uma das traduções desse bem-estar é a criação de emprego. É um dos caminhos que, infelizmente, não tem sido trilhado nos últimos anos. Concluo, com uma nota de desagrado pelo João, pela Luísa, pelo Francisco, pela Mariana, e por tantos outros que do alto da sua nota de acesso de quase 18 não conseguem aceder ao curso de Medicina. Há que mudar qualquer coisa para que não suceda.

É urgente evitar a saída do país daqueles que já na adolescência trabalharam como profissionais, conseguiram excelentes resultados e que, aos 18 anos, mais uma vez o número 18, saem do país e com eles sai, de modo extemporâneo, talento e capacidade inquestionáveis.

One Comment

  1. victor mendes says:

    quando fomos governo não mudamos nada disto…..é triste e´é verdade
    o autor para que saibam foi secretário de estado da educação…..tenho dito…sou PSD e ele é PSD, mas não devia falar daquilo que não mudou e até agravou…no tempo do PSD não se mudou nada e as vagas eram inferiores a este ano…se tivessemos mudado quaando o autor deste artigo estava no Governo já tinhamos médicos a sair..haja decoro

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